O exemplo mais contundente é o de Ayyoub Bouaddi. Com apenas 18 anos, ele é titular da equipe de Mohamed Ouahbi e passou pelas categorias de base da França, mas optou por defender Marrocos, mesmo tendo nascido na comuna de Senlis, no país europeu. Além dele, são outros cinco: Issa Diop, Redouane Halhal, Neil El-Aynaoui, Samir El-Mourabet e Gessime Yassine.
Bouaddi foi capitão da seleção francesa sub-21 quando era quatro anos mais novo do que o limite de idade e se interessava em defender o território em que nasceu. Os marroquinos o convidaram para fazer parte do elenco que venceu a Copa Africana de Nações, mas ele recusou.
O técnico da atual vice-campeã do mundo, Didier Deschamps viu o meio-campista estrear pelo Lille em 2023, com 16 anos, e joga na Champions League, mas demorou tanto a convocá-lo pela primeira vez que, com a Copa do Mundo batendo na porta, ele aproveitou a ascendência de seus pais e agora faz parte do elenco de Marrocos.
A decisão do treinador é até compreensível, visto os nomes que ele já dispõe no meio-campo, como Tchouaméni, Koné, Zaire-Emery e companhia. O auxiliar de Deschamps, Guy Stephan, confirmou que ainda não havia espaço para o prodígio. “Já temos muito talento no meio-campo”, disse, referindo-se aos já consolidados; em suma, ele era visto como peça para o futuro.
‘Captar’ jogadores que tenham alguma ligação com o país não é uma prática nova para Marrocos, que já surpreendeu em 2022 ao chegar ao torneio no Catar com 13 dos 26 atletas do elenco não tendo nascido em seus ‘domínios’. O motivo para tantos se elegerem a essa naturalização está na diáspora.
A França, seu colonizador, é o principal destino dos imigrantes marroquinos e conta com comunidades expressivas, sobretudo, na região metropolitana de Paris e na região sul do país. Muitos jogadores da seleção nasceram e cresceram em países europeus, mas carregam sangue africano.
Mudanças de regras trouxeram mais jogadores da França ao Marrocos
Coincidência ou não, Marrocos voltou à Copa após amargar um jejum de 20 anos sem participar do maior torneio de futebol do planeta quando a Fifa passou a ser menos rigorosa nas regras para estrangeiros. De 2004 para frente, atletas que representassem uma seleção nas categorias de base poderiam mudar para outra no profissional.
Isso se o jogador tivesse uma “ligação clara” com a nação, que no caso dos marroquinos, é bem evidente: o laço familiar, com pais ou avós nascidos no local que deseja defender. Mais tarde, ficou ainda mais flexível.
Hoje em dia, apesar do tempo de residência ter subido a cinco anos, três a mais do que os dois do começo do século, os jogadores podem disputar até no máximo três partidas pela seleção principal antes de completarem 21 anos.
O resultado disso é que na Copa do Mundo de 2026, 28 das 48 equipes que participaram do torneio tinham ao menos um naturalizado, que totalizam 254 nomes. Desses, 19 fazem parte do elenco de Marrocos, mais que os 13 de 2022, quando fez campanha histórica e chegou às semifinais. Agora, com um elenco ainda mais diverso, busca seguir alcançando marcas inéditas e, quem sabe, o primeiro título para a África.
O jogo das quartas de final está marcado para as 17h (horário de Brasília) desta quinta-feira, 9. Quem passar, encara o vencedor do duelo entre Espanha e Bélgica. Do outro lado da chave, jogam Noruega x Inglaterra e Argentina x Suíça. Confira o chaveamento completo.
Ficha técnica
FRANÇA X MARROCOS (Copa do Mundo – quartas de final)
Data: 9 de julho de 2026 (quinta-feira), às 17h (de Brasília)
Local: Gillette Stadium, em Foxborough (EUA)
Transmissão: Globo, SBT, CazéTV, SporTV, N Sports e Ge TV (Globoplay)
Árbitro: Facundo Tello (ARG)
Assistentes: Juan Pablo Belatti e Gabriel Chade (ARG)
França
Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba e Digne; Koné, Rabiot e Olise; Dembélé, Mbappé e Barcola
Técnico: Didier Deschamps
Marrocos
Bounou; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui; Bouaddi, El Aynaoui e Ounahi; Brahim Díaz, Rahimi e El Khannouss
Técnico: Mohamed Ouahbi /AE
(Foto: Reprodução)






