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Ceará Notícias > Blog > Ceará > Domingos Neto defende voto distrital misto como instrumento contra infiltração do crime na política e prevê avanço da proposta até o fim do ano
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Domingos Neto defende voto distrital misto como instrumento contra infiltração do crime na política e prevê avanço da proposta até o fim do ano

Ultima atualização: 01/11/2025 10:04 AM
Redação
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5 Min. de Leitura
06/11/2019 Credito : Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - Audiência Pública - Tema: "Projeto do Programa Nac. de Enfrentamento à Criminalidade Violenta." Dep. Domingos Neto (PSD-CE)
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O relator do projeto do voto distrital misto na Câmara dos Deputados, Domingos Neto (PSD-CE), afirmou que a proposta, apontada como uma das principais ferramentas para conter a infiltração do crime organizado na política, deve avançar ainda neste ano no Congresso Nacional. O parlamentar revelou que já tem sinal positivo dos maiores partidos e espera que a votação do pedido de tramitação em regime de urgência ocorra até o fim de novembro, o que permitiria levar o texto diretamente ao plenário, sem passar pelas comissões.

“O principal trunfo do sistema distrital misto é o accountability, é o cidadão poder cobrar do seu representante, já que ele tem pertença com o território. Isso joga luz sobre o processo eleitoral e, por si só, afasta bastante as facções criminosas”, declarou Domingos Neto.

Apoio político e urgência na tramitação

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também demonstrou apoio à proposta e afirmou que pretende colocar o tema na ordem do dia, com o objetivo de implantar o novo modelo eleitoral a partir das eleições de 2030.

“Se não mudarmos o sistema, continuaremos a ter parlamentares eleitos com financiamento do crime organizado, que domina comunidades e interfere diretamente nas eleições”, alertou Motta.

Segundo Domingos Neto, a estratégia política foi aguardar a data-limite de um ano antes da eleição de 2026 para evitar resistência dos parlamentares que disputarão a reeleição. Dessa forma, o novo modelo não poderá ser aplicado em 2026, reduzindo tensões dentro da Casa.

Como funciona o sistema distrital misto

O modelo proposto divide os estados em distritos geográficos e reserva parte das cadeiras legislativas aos candidatos mais votados de cada distrito. A outra metade das vagas é preenchida com base no voto proporcional por partido, como ocorre atualmente.

“Esse sistema reduz o poder do dinheiro e o custo das campanhas, pois o eleitor vota em representantes mais próximos. O debate político passa a ser regionalizado e focado em resultados concretos”, explicou o relator.

O texto em discussão na Câmara difere ligeiramente da proposta aprovada pelo Senado em 2017, de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP). A versão atual prevê que o eleitor vote uma única vez, escolhendo um candidato distrital, e que as vagas sejam distribuídas conforme a soma dos votos de cada partido.

Combate às facções e à crise de representatividade

Domingos Neto afirmou que a recente operação policial no Rio de Janeiro, a mais letal do país, reforça a urgência em blindar o sistema político do poder das facções.

“Sem dúvida, o crime já entrou na política. Temos denúncias em todo o Brasil. É uma preocupação nacional evitar que o país se torne um narcoestado. O voto distrital misto é uma das medidas mais importantes para conter isso”, avaliou.

O parlamentar cearense também destacou que o Brasil vive uma crise de representatividade, onde o “poder econômico e as falhas do sistema” favorecem candidatos financiados por fontes ilícitas.

“Se não fizermos nada agora, amanhã poderemos ter presidentes da Câmara e do Senado financiados pelo crime organizado. Estaríamos entregando o país às facções”, alertou o presidente da Câmara, Hugo Motta

Próximos passos

Domingos Neto confirmou que apresentará também uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com o mesmo objetivo, embora o trâmite seja mais longo. O relator tem mantido diálogo com líderes partidários, presidentes de legendas e membros do Judiciário para garantir apoio político e técnico à proposta.

“Já conversei com os sete maiores partidos e senti um clima favorável. A sociedade também começa a compreender que o voto distrital misto é um passo essencial para um sistema mais justo, transparente e imune à corrupção e ao crime”, concluiu.

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