Mauro afirma que a decisão foi técnica e motivada pela necessidade de reforçar a defesa das pautas econômicas do governo no Congresso. Segundo ele, a equipe econômica sentiu falta de parlamentares com atuação mais direta nessa área.
“Eu estou há dois anos como vice-líder do governo Lula. Aí, me tiraram da liderança, não sei o motivo, e o governo, a equipe econômica começou a se ressentir, porque quem é que defende o governo Lula no Congresso? Da área econômica. Tem outros deputados, colegas muito competentes em outras áreas. Era eu e o Lindbergh [Farias]. Então, foi uma decisão estritamente técnica. A equipe econômica querendo continuar com as defesas e tudo mais”, explicou.
Do ponto de vista formal, nada impede Mauro Filho de reassumir a vice-liderança. O problema é político. Em Brasília, o deputado volta a defender o Governo Lula. No Ceará, está no campo de Ciro Gomes, adversário direto do governador Elmano de Freitas (PT).
A contradição aumenta porque Mauro Filho também tem feito críticas à área econômica do governo estadual petista. Recentemente, o parlamentar participou do debate da oposição sobre as contas públicas do Ceará, em meio a questionamentos à gestão Elmano.
Ao ser questionado sobre a pré-campanha de Ciro Gomes, Mauro tentou separar o cenário estadual da disputa nacional. Segundo ele, Ciro “não está tratando de campanha presidencial” e já afirmou que “Lula é Lula, Bolsonaro é Bolsonaro, Caiado é Caiado”.
A estratégia segue a mesma linha adotada por Ciro: tentar isolar o Ceará das disputas nacionais. O desafio é saber se o eleitor cearense aceitará essa separação. Afinal, Mauro Filho volta a ocupar espaço no Governo Lula em Brasília enquanto atua, no Ceará, ao lado de um projeto que faz oposição ao principal palanque petista no Estado.






