Já entre 2015 e 2024, houve aumento de 21% no número de mortes no país, saindo de 14,9 mil para 17,5 mil óbitos. Nesse período, o país registrou mais de 159 mil vidas perdidas para a doença. A região Centro-Oeste teve o maior crescimento (26,1%) nos últimos dez anos, seguida pela região Sul (24,1%), Sudeste (21%), Nordeste (19,7%) e Norte (19,5%).
Apesar de ser o segundo tumor mais frequente em homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma, o câncer de próstata ainda é cercado por preconceito, o que afasta os homens dos consultórios.
“Ainda existe um certo tabu em relação ao toque retal, porque evidentemente não é um exame confortável, mas é um exame simples, barato e muito importante para o diagnóstico da doença”, diz Marco Arap, urologista do hospital Sírio-Libanês.
Segundo Arap, quando o PSA (Antígeno Prostático Específico) —geralmente o primeiro exame feito para detectar alterações na próstata— fica estável ou numa faixa “normal”, é o toque retal que pode garantir um diagnóstico mais claro.
Existem outros exames que complementam a investigação do câncer de próstata. O principal deles é a ressonância magnética, que avalia não só a zona periférica da próstata, mas também toda a região próxima.
“A ressonância é um exame muito sensível e específico, mas infelizmente é caro. Portanto, não deve ser indicado para todo mundo em substituição ao toque retal. Ele é indicado quando o PSA e ou o toque retal têm algum tipo de alteração. Aí sim a gente prolonga a investigação com a ressonância, que vai definir se esse paciente deve ser submetido a uma biópsia para a confirmação”, afirma Arap.
Por não apresentar sintomas em estágios iniciais, exames regulares são fundamentais para detecção da doença. O rastreamento deve começar aos 50 anos ou aos 45 em caso de fatores de risco, como histórico familiar, obesidade ou pessoas negras —população com risco duas vezes maior de desenvolver o tumor e com mortalidade mais alta.
“O câncer de próstata é silencioso e não apresenta sintomas na fase inicial. Muitos pacientes só descobrem a doença em estágios avançados, quando as chances de cura diminuem drasticamente. Prevenção é atitude de responsabilidade”, afirma Luiz Otávio Torres, presidente da SBU.
Em estágios avançados, o câncer de próstata pode provocar dificuldade para urinar, o jato urinário fraco ou interrompido, sensação de urina residual na bexiga, sangramentos e dor nas costas, especialmente quando há obstrução do ureter. Em casos de metástases —quando o câncer se espalha para outros órgãos— podem ocorrer dores ósseas intensas, perda de peso e anemia.
No entanto, a presença desses sintomas não significa necessariamente que o paciente tenha câncer de próstata. Eles podem estar associados a outras condições comuns, como infecções urinárias, cálculo renal ou hiperplasia prostática benigna, que não são malignas.
“Todos esses sinais, quando detectados, devem motivar o paciente a procurar auxílio médico. Sejam eles graves ou não, esses sintomas devem ser investigados e tratados, desde uma simples infecção urinária até um problema mais grave como um tumor”, diz Arap.
Além disso, nem todo câncer de próstata exige tratamento imediato. Em muitos casos, especialmente quando o tumor é de baixo risco e tem crescimento lento, a conduta recomendada é a vigilância ativa, que consiste em um acompanhamento clínico rigoroso sem intervenção imediata.
“Às vezes esse tumor é tão lento, tão lento, que o tratamento pode ser mais agressivo que o próprio tumor. Nesses casos, o paciente é incluído num protocolo de vigilância ativa”, afirma Arap.
“O risco é que o paciente abandone o acompanhamento ou que o tumor se torne agressivo em ritmo mais acelerado, o que pode levar à perda da janela de cura.”/Folha SP
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