O então juiz federal Sergio Moro, hoje ministro do governo Jair Bolsonaro, chamou a atenção de procuradores da Lava Jato para a inclusão de uma prova considerada importante por ele na denúncia contra um réu da operação, segundo mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil e divulgadas nesta sexta-feira (05/07) pela revista Veja.
Na troca de mensagens pelo Telegram, em 28 de abril de 2016, segundo a revista, os procuradores conversaram sobre um alerta de Moro à força-tarefa.
As mensagens sugerem também que Moro pode ter escondido informações do Supremo para manter um caso sob investigação em Curitiba.
Em agosto de 2015, a defesa de Flávio David Barra (AG Energia) pede ao ministro Teori Zavascki (STF) a suspensão de um processo sob a responsabilidade de Moro, ao alegar que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar o caso já que havia indício de parlamentares federais envolvidos.
Diante da reclamação, Teori cobra explicações a Moro, que afirma não saber nada sobre o envolvimento de parlamentares no caso. Apesar disso, Teori suspende as investigações, o que força o então juiz a remeter o caso de Curitiba para Brasília.
Três semanas depois, porém, um diálogo entre o procurador Athayde Ribeiro Costa e a delegada Erika Marena, da Polícia Federal, sugerem que Moro pode ter omitido informações ao STF.
Athayde diz precisar com urgência de uma “planilha/agenda” apreendida com David Barra com descrição de pagamentos a diferentes políticos. A delegada da PF responde que, por orientação de “russo” (Moro), não tinha tido pressa em protocolar o documento no sistema eletrônico da Justiça. “Acabei esquecendo”, disse. “Vou fazer isso logo”, completa Erika.
OUTRO LADO DE MORO
Na manhã desta sexta-feira, em nota à imprensa, Moro repetiu não reconhecer a autenticidade das mensagens e disse que elas podem ter sido adulteradas total ou parcialmente.
Sobre o caso do lobista Zwi Skornicki, disse que o depósito, alertado por ele como importante aos procuradores, não foi reconhecido como crime na sentença final. “A absolvição revela por si só a falsidade da afirmação da existência de conluio entre juiz e procuradores ou de quebra de parcialidade, indicando ainda o caráter fraudulento da suposta mensagem”, diz o ministro, em nota.
A sentença mostra que Zwi de fato foi absolvido da acusação de fazer transferência internacional para Eduardo Musa porque não foi encontrado vínculo do repasse com a Petrobras ou a Sete Brasil.
Porém, na época da sentença, um ano após a prisão, o réu já tinha se tornado delator e saído da cadeia devido a acordo de colaboração. A condenação por esse crime naquele momento teria pouco efeito prático na situação do operador.
Sobre a suposta sonegação de informação ao então ministro Teori Zavascki (STF) afirma que, quando prestou esclarecimentos ao Supremo, “não dispunha de qualquer informação sobre o registro de pagamentos a autoridades com foro privilegiado”./ FSP






