A manifestação de Alcides amplia a crise interna no PL cearense, aberta após Michelle criticar a aproximação de setores da legenda com Ciro Gomes e defender uma candidatura conservadora no primeiro turno no Estado.
No vídeo, Alcides afirmou que Michelle fez “alegações infundadas” a respeito dele e de seu filho, o deputado federal André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará.
O pré-candidato também disse que a fala da ex-primeira-dama demonstraria desconhecimento sobre a política local. Segundo ele, “trata-se de uma demonstração de uma completa ignorância a respeito do que é o Ceará, da sua complexidade e da sua atual situação”.
Alcides também rebateu a tese de que eventuais alianças no Ceará deveriam ser tratadas apenas em um segundo turno. Para ele, “falar em alianças no segundo turno no Ceará é mais uma triste demonstração de desconhecimento sobre a realidade do Ceará”.
Em outro trecho do vídeo, o pré-candidato afirmou que as decisões tomadas pelo PL no Estado não foram feitas sem o conhecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Dizer que isso foi feito pelas costas do presidente Jair Bolsonaro, no momento em que ele não pode opinar, é faltar com a verdade que é pública”, declarou.
Alcides ainda citou uma suposta reunião realizada no dia 14 de abril, envolvendo Michelle, Altineu Côrtes, André Fernandes e Valdemar Costa Neto. Segundo ele, Michelle teria admitido a possibilidade de aliança com Ciro Gomes, desde que uma indicada dela ocupasse espaço na chapa ao Senado.
“Você disse que toparia fazer aliança com o Ciro, desde que fosse colocada a sua indicada ao Senado na chapa”, afirmou Alcides, ao rebater a posição pública adotada pela ex-primeira-dama.
O pré-candidato encerrou o vídeo questionando se a resistência de Michelle teria relação com seu nome na disputa ao Senado. “É porque eu não agrado à vontade particular de quem mal conhece um palmo do nosso estado?”, indagou.
A resposta de Alcides segue a mesma linha adotada por Flávio Bolsonaro, antes da publicação do vídeo de Michelle, segundo ela, Flávio teria ligado para ela ficar de fora das articulações por falta de conhecimento político.
Pastor Alcides também reagiu às declarações de Michelle defendendo que as decisões políticas envolvendo o Ceará foram tomadas com respaldo e diálogo interno.
O episódio aprofunda o racha no PL e mostra que a crise deixou de ser apenas uma divergência sobre aliança estadual. A disputa agora envolve o comando político da direita no Ceará, o peso de Michelle Bolsonaro dentro do partido e a tentativa de consolidar o palanque bolsonarista para 2026.
Enquanto Michelle defende uma candidatura conservadora no primeiro turno, com Eduardo Girão ao Governo e Priscila Costa ao Senado, a ala liderada por André e Alcides Fernandes sustenta que as decisões locais precisam considerar a realidade política do Ceará e a estratégia construída coletivamente pelo partido.
Com a troca pública de acusações, o PL cearense entra em uma fase de tensão aberta, com reflexos diretos na montagem das chapas e na relação entre lideranças nacionais e estaduais do bolsonarismo.
(Foto: Istagram/reprodução)





