A chegada ocorre justamente no dia em que Quixeramobim comemora 237 anos de emancipação política. Neste primeiro momento, porém, não haverá transporte de cargas, já que o trecho ainda depende das autorizações necessárias para a operação comercial.
Para que a ferrovia possa funcionar comercialmente até Quixeramobim, ainda são necessárias a licença de operação do Ibama e a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para abertura do tráfego no trecho.
A expectativa de realização de uma operação-teste em outubro foi apresentada pelo CEO da Value Global Group, Ricardo Azevedo, responsável pelo projeto do Porto Seco do Sertão Central. A concessionária Transnordestina Logística S.A. ainda não divulgou oficialmente um prazo para essa etapa.
A Transnordestina já opera em regime de testes em parte de sua extensão. Desde 2025, a ANTT acompanha o comissionamento e a evolução dos trechos liberados da ferrovia. Atualmente, as autorizações existentes permitem a operação ferroviária em parte do corredor entre o Piauí e o Ceará.
Quixeramobim passou a ocupar posição estratégica no projeto depois da conclusão dos lotes 4 e 5, entregues em julho pelo presidente Lula e pelo governador Elmano de Freitas. Com essa etapa, mais 101 quilômetros foram incorporados à ferrovia, elevando para 777 quilômetros o total concluído da primeira fase do empreendimento.
O município também deverá receber um dos principais terminais de carga do projeto. O Porto Seco José Dias de Macêdo está sendo implantado em uma área superior a 362 hectares e deverá funcionar como terminal multimodal, ampliando a capacidade de armazenagem e escoamento da produção do Sertão Central.
A previsão para 2026 é de continuidade acelerada das obras, incluindo os trechos entre Quixeramobim e Quixadá, Quixadá e Itapiúna e avanços na ligação até o Complexo do Pecém. A primeira fase da Transnordestina, que ligará o sertão do Piauí ao Porto do Pecém, tem conclusão prevista para 2027.
A chegada da locomotiva a Quixeramobim tem, portanto, caráter simbólico, mas representa um marco importante para o Sertão Central. O desafio agora é transformar o avanço físico dos trilhos em operação efetiva, permitindo que a ferrovia comece a cumprir seu principal objetivo: reduzir custos logísticos, ampliar o escoamento da produção e criar novas oportunidades de desenvolvimento no interior do Ceará.






