O resultado veio praticamente em linha com a mediana das expectativas do mercado financeiro, que era de 1,5%, de acordo com a agência Bloomberg. O intervalo das previsões ia de 0,9% a 1,9%.
O primeiro trimestre foi marcado pelo desempenho aquecido da agropecuária. O setor teve impulso da recuperação da safra de grãos, cujo efeito no PIB fica mais concentrado no início do ano. As projeções indicam produção recorde no campo em 2025.
Além da ajuda da agropecuária, o mercado de trabalho seguiu mostrando sinais de força com a geração de empregos formais e renda, após uma série de medidas de estímulo do governo Lula (PT) na economia.
Em conjunto, os fatores contribuíram para o avanço do PIB mesmo em um cenário de choque na taxa básica de juros (Selic).
A Selic fechou o primeiro trimestre em 14,25% ao ano e voltou a subir em maio, para 14,75%, o maior patamar em quase duas décadas. O aperto praticado pelo BC (Banco Central) busca frear a inflação e ancorar as expectativas dos agentes financeiros.
Ao longo de 2025, economistas apostam em um ritmo menor do PIB. A previsão está associada ao fim do impulso da safra agrícola e à manutenção dos juros em patamar elevado. A Selic de dois dígitos encarece o crédito para consumo e investimentos produtivos.
O ritmo esperado para a desaceleração do PIB, contudo, não é unânime entre os economistas. Analistas ainda se perguntam até que ponto o governo Lula estará disposto a abrir mão de medidas para estimular a atividade antes das eleições de 2026.
O cenário para os próximos trimestres também carrega incertezas do mercado internacional devido à guerra de tarifas aberta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam alta de 2,14% para o PIB brasileiro no acumulado de 2025, abaixo do crescimento em 2024, conforme o boletim Focus divulgado pelo BC na segunda (26).
O governo federal, por sua vez, espera um avanço de 2,4%, de acordo com revisão anunciada na semana passada pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
O desempenho da economia tem sido comemorado por Lula e seus apoiadores. Ainda assim, o presidente viu sua aprovação despencar no início de 2025. A inflação dos alimentos foi apontada como uma das principais questões por trás da queda da popularidade do petista.
O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos por um país em um determinado período (ano ou trimestre). Seu avanço é usualmente chamado de crescimento econômico./Folha SP
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