O ritmo das atualizações tem sido irregular, e os comunicados vêm de diferentes autoridades do regime. No primeiro anúncio após os sismos, autoridades falaram em 32 mortos. O número só foi revisado na manhã de quinta, para 164 mortos.
Na tarde do mesmo dia, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, disse que eram 188 mortos, valor revisado à noite para 235. O número de feridos mais recente, por sua vez, foi dado pelo ministro Carlos Alvarado (Saúde) durante entrevista à TV local.
À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas siga aumentando. Em comunicado, Delcy disse que, para ajudar na resposta ao desastre, o regime está “militarizando” o estado de La Guaira, região costeira que foi a mais atingida pelos terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5.
Horas depois, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, anunciou que o acesso a La Guaira está sob restrição. Cabello que era aliado próximo do ditador deposto Nicolás Maduro e supervisionava o aparato de repressão do chavismo. Segundo o anúncio, a restrição tem como objetivo priorizar as operações de resgate, atendimento médico e avaliação de riscos.,
O ministro disse ainda que a decisão atende a pedidos de de moradores de La Guaira e busca evitar que o fluxo de pessoas dificulte o trabalho das equipes de salvamento. Segundo ele, motociclistas voluntários receberão coletes de identificação e serão designados para funções específicas. Apenas pessoas com tarefas previamente definidas poderão entrar no estado.
A oposição venezuelana compartilhou sites criados para registrar desaparecidos —o número seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.
O governo do Brasil confirmou dois cidadãos brasileiros entre os mortos, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. A modelo Vanessa Zacarias da Silva, 44, é uma das duas vítimas, segundo informações compartilhadas por familiares.
O governo de Portugal disse que nove cidadãos morreram e outros 56 estão desaparecidos. Também estão entre os mortos dois cidadãos chineses e um ítalo-venezuelano. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manual Albares, disse que três cidadãos espanhóis morreram no desastre e outros 99 estão desaparecidos.
O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores —o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.
Equipes de Chile, México, El Salvador e Suíça também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O presidente Lula (PT) anunciou o envio de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) com ajuda humanitária. O primeiro decolou do aeroporto de Guarulhos na manhã desta sexta.
Foram enviados também membros dos corpos de bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de especialistas da Defesa Civil e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de acordo com comunicado da FAB.
Socorristas têm trabalhado para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores reclamarem que a ajuda oficial tarda a chegar nos lugares mais afetados.
“Meu filho de 19 anos está preso embaixo do concreto, e não há máquinas para tirá-lo de lá”, disse Yamileth Jimenez à agência na cidade de La Guaira, capital do estado homônimo. Já Suhayl Sarquiz diz ter perdido tudo: “Meu prédio está destruído e não tenho mais nada”, afirma a mulher de 50 anos, que está desempregada.
A moradora Beatriz Rodríguez disse ter perdido um sobrinho, enquanto outro precisou ter as pernas amputadas.
Segundo a agência de notícias AFP, moradores de Caracas vaiaram Delcy nesta sexta, durante uma visita da líder interina a um bairro devastado. Os presentes teriam dito que as autoridades não estão fazendo nada pelo povo.
O regime venezuelano confirmou que ao menos 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas. A ONU estima que 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.
As Forças Armadas venezuelanas estão montando hospitais de campanha na região de La Guaira —conforme anunciado em comunicado oficial— e terão capacidade para realizar cirurgias de emergência. Ainda na quinta, uma equipe da Reuters na cidade viu um comboio militar perto do estádio local realizando operações de ajuda humanitária.
Dois hotéis cinco estrelas da região estão entre as estruturas que desabaram. Equipes de resgate e voluntários subiram nas montanhas de escombros do que foram torres de até 15 andares para buscar eventuais vítimas. A principal estrada que margeia La Guaira se partiu em vários pontos e está intransitável em alguns deles. O aeroporto internacional da região, o principal do país, também foi fechado devido aos danos em sua infraestrutura./Folha SP
(Foto: Reprodução)





