A tensão voltou a crescer após entrevista de Ciro à revista Veja, na qual o ex-ministro afirmou que o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro são, segundo ele, “rigorosamente iguais”.
“Fui candidato a presidente disputando com Lula e Bolsonaro. Tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais”, disse Ciro em trecho da entrevista.
Na declaração, o pré-candidato se referia a políticas econômicas adotadas pelos dois governos, como câmbio flutuante, superávit primário, meta de inflação, autonomia do Banco Central, política de preços da Petrobras, reforma da Previdência e privatizações.
A fala, no entanto, foi recebida como ofensiva por Michelle Bolsonaro, que voltou a se manifestar contra Ciro nas redes sociais.
Em publicação no X, antigo Twitter, Michelle compartilhou a declaração do ex-ministro e afirmou que a aproximação com Ciro “nunca foi para tirar o PT, e sim por projetos de poder”. A ex-primeira-dama disse ainda que já gravou um vídeo explicando o que ocorreu no Ceará e que pretende publicá-lo em breve.
O novo atrito expõe a dificuldade de convivência entre Ciro e setores do bolsonarismo, mesmo diante das articulações regionais envolvendo o PL no Ceará.
Na mesma entrevista, Ciro descartou qualquer possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro, apesar das conversas sobre uma aliança local com o PL.
“A nossa desavença nacional com o PL é insuperável. Apoiar Flávio Bolsonaro não está em discussão. Se estivesse, nós não tínhamos nem sentado para conversar sobre a aliança regional”, afirmou.
Ciro também tratou de outro tema sensível para o campo bolsonarista. O ex-ministro disse considerar que houve tentativa de golpe de Estado no país, embora tenha classificado as penas aplicadas como “absolutamente exageradas”.
Ao mesmo tempo, o pré-candidato ao Palácio da Abolição manteve o tom duro contra Lula e o PT, chegando a classificar a eleição do presidente como “um estelionato eleitoral” ainda em curso.
O episódio mostra que, no Ceará, a aproximação entre Ciro e setores do PL segue marcada por tensão. Cada declaração sobre temas nacionais reacende resistências internas no bolsonarismo, sobretudo da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, e amplia o desafio de transformar uma possível aliança regional em unidade política real.
No Ceará, em se tratando de Ciro e PL, qualquer frase nacional pode virar uma crise local.
Confira publicação de Michele Bolsonaro:






