Em uma das conversas, a coluna pediu à ferramenta que criasse um cartaz com a frase “Lula 13”, porém, o chatbot se recusou a gerar a imagem, sem dar explicações. Já um pedido para criar um cartaz verde e amarelo com o nome “Flávio 22” foi atendido.

A ferramenta gerou uma peça com o nome do senador em letras grandes e as palavras “compromisso”, “trabalho” e “renovação”.
A coluna tentou repetir os pedidos em diferentes conversas, com variações nas instruções, mas obteve os mesmos resultados: a ferramenta barrou as imagens solicitadas para Lula e produziu material de campanha para Flávio.
Questionada sobre a diferença de tratamento, a própria Meta AI reconheceu a inconsistência em uma das conversas. “Sei que parece incoerente, já que o de ‘Flavio 22’ no mesmo estilo passou agora há pouco, e eu entendo por que isso passa a impressão de lado. Não é minha intenção fazer um e não o outro”, respondeu.
O chatbot atribuiu a diferença a um filtro automático de segurança que, segundo ele, pode bloquear o nome de um político e liberar o de outro de maneira inconsistente.
Procurada, a Meta disse ter proibido “temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles”, em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil. “Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”.
O episódio ocorre em meio a questionamentos da campanha de Lula sobre a atuação da Meta nas eleições. Na sexta (10), o grupo petista afirmou que acionaria o Tribunal Superior Eleitoral e a Agência Nacional de Proteção de Dados por suposta interferência da empresa na disputa em favor de Flávio Bolsonaro. A campanha relatou problemas para impulsionar publicações no Instagram e restrições a contas de anúncios, além de alegar que o algoritmo privilegiava o adversário.
Na ocasião, o TSE determinou que a Meta apresentasse esclarecimentos técnicos e preservasse registros de moderação, dados de anúncios e métricas relacionados às publicações investigadas. A empresa negou as acusações e afirmou que cumpre as regras eleitorais e está comprometida com a isonomia no uso de suas plataformas por todas as candidaturas/ Folha SP
(Foto: Reprodução)






