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Ceará Notícias > Blog > Ceará > Mais de 400 mil pessoas deixaram a extrema pobreza no Ceará nos últimos três anos
CearáDestaques

Mais de 400 mil pessoas deixaram a extrema pobreza no Ceará nos últimos três anos

Ultima atualização: 26/05/2026 7:04 PM
Redação
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5 Min. de Leitura
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Estudo do Ipece revela que Ceará manteve redução da extrema pobreza e apresenta melhora na renda dos 10% mais pobres, mesmo com o aumento no valor da linha internacional de pobreza em 2025

De 2023 a 2025, a renda real dos 10% mais pobres do Ceará cresceu mais de 40%, o que levou a uma redução de 35% na proporção de cearenses na extrema pobreza nesse período. É o que revela o estudo divulgado, nesta terça-feira (26), pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), durante o seminário realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no auditório do Ipece, em Fortaleza.

O estudo foi elaborado pela Diretoria de Estudos Sociais do Ipece, com base em microdados da PNAD Contínua divulgada pelo IBGE recentemente, e está disponível no novo Enfoque Econômico N° 319 do Ipece.

“Esse avanço é resultado de um trabalho integrado e de políticas públicas que cuidam das pessoas. Pela primeira vez na história, o número de cearenses com carteira assinada superou o de beneficiários do Bolsa Família. Seguimos investindo em segurança, educação e inclusão social, com ações como o Ceará Sem Fome, que já conta com 1.300 cozinhas ativas levando alimento e dignidade para milhares de famílias cearenses. É assim que continuaremos construindo um Ceará mais justo e com mais oportunidades para todas e todos”, afirmou o governador Elmano de Freitas.

O objetivo, explica o analista de Políticas Públicas do Ipece, Jimmy Oliveira, foi compreender o cenário da extrema pobreza no Ceará com base nos valores antigo e atual da linha internacional de pobreza, destacando que a mudança no critério tem repercussão sobre o número de pessoas em extrema pobreza.

“Em junho de 2025, o Banco Mundial atualizou a linha de extrema pobreza, o que aumentou muito o valor em comparação ao valor anterior. Isso fez com que os indicadores de extrema pobreza aumentassem, não porque a situação das famílias de baixa renda piorou. Na verdade, a situação até melhorou, a renda dos mais pobres cresceu mais do que a média do Estado”, detalha.

O antigo valor de US$ 2,15 por dia, aproximadamente R$ 232 reais mensais, foi atualizado para US$ 3 por dia, aproximadamente R$ 280 reais mensais. O ajuste está relacionado às taxas de Paridade do Poder de Compra (PPC), que indicam quanto de moeda local de um país é necessário para comprar a mesma cesta de bens e serviços nos Estados Unidos (país de referência).

Jimmy reforça que o Ceará, independente do valor do limiar utilizado, conseguiu manter a trajetória de redução da extrema pobreza de forma contínua ao longo dos últimos anos.

“Podemos afirmar que a extrema pobreza no Ceará, tanto em termos percentuais como em número de pessoas, vem caindo desde o início da série de 2012, mas sobretudo nos últimos anos, de 2022 a 2025. Mais de 400 mil pessoas no Ceará saíram da extrema pobreza independente do valor da linha”, conclui.

Sobre a renda, entre 2022 e 2025, a renda média dos 10% mais pobres cresceu mais do que o dobro da renda dos 10% mais ricos. A renda média real dos 10% mais pobres cresceu à taxa média de 12% ao ano (a.a), o que gerou crescimento acumulado de 40,6% nos últimos três anos. No mesmo período, a renda média dos 10% mais ricos cresceu 4,9% a.a. e 15,4% no acumulado do triênio.

Em reais de 2025, a renda média do estrato mais pobre do estado cresceu de R$ 128 em 2022 para R$ 180 em 2025. Já o limite superior da classe que define os 10% mais pobres aumentou de R$ 227 para R$ 287 (valores corrigidos pelo IPCA), o que fez com que o percentual de cearenses na extrema pobreza ficasse abaixo de 10% (9,4% em 2025) pela primeira vez desde 2012, de acordo com a nova linha internacional de pobreza.

O diretor-geral do Ipece, Alfredo Pessoa, observa que esse resultado está relacionado ao aumento no valor das transferências dos programas sociais como dos resultados positivos no mercado de trabalho. “No Ceará, além do Bolsa Família, temos uma política complementar ao Bolsa Família, que é o Ceará Sem Fome. O programa envolve o cartão, as cozinhas, oportunidade de trabalho e, mais recentemente, a saúde”, afirmou.

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