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Instituições federais de educação no Ceará revelam impactos de bloqueio de verba

O bloqueio geral de 30% da verba orçamentária das instituições de ensino federal anunciado pelo Ministério da Educação na última terça-feira (30/04), deve impactar, em curto prazo, as atividades das unidades do Ceará.

No Instituto Federal do Ceará (IFCE), somente a assistência estudantil não será afetada. Por outro lado, as futuras despesas com o funcionamento básico já preocupam. Dos R$ 84 milhões previstos no orçamento inicial para este ano, a medida bloqueou automaticamente R$ 32 milhões, o que obriga a instituição a rever os custos dos próximos meses.

Segundo o reitor Virgílio Araripe, embora ainda seja “prematuro avaliar os reais impactos”, é possível afirmar preliminarmente que os serviços de mão de obra terceirizada (vigilância, limpeza e recepção) podem ser prejudicados a partir do segundo semestre, além do pagamento da conta de energia.

“O orçamento já é enxuto, não tem margem para que a gente possa fazer uma reengenharia interna, aí um bloqueio como esse com certeza nós vamos ter no segundo semestre algumas ações que o IFCE terá grandes dificuldades de executar, como todo o serviço terceirizado, conta de energia, caso o bloqueio não seja revogado”, pondera o reitor.

Questionado se o bloqueio da verba reflete na oferta de vagas dos cursos técnicos, de graduação e pós-graduação, Virgílio Araripe esclareceu que “não tem relação direta, o que pode acontecer é esse bloqueio impactar a instituição toda”. Ainda segundo ele, a equipe de planejamento do IFCE está fazendo as contas para que tenha uma “previsão real de quanto tempo vamos ter com o orçamento que sobrou e o que isso vai interferir”.

Na Unidade Universitária Federal de Educação Infantil Núcleo de Desenvolvimento da Criança (UUNDC), que atende 56 crianças de três a cinco anos, o bloqueio pode dificultar ainda mais a atuação.

De acordo com a diretora Fátima Saboia, o local enfrenta percalços para desenvolver as atividades dentro da universidade, porque “a prioridade é do ensino superior”. Ela explica que esses problemas estão relacionados principalmente à falta de dotação orçamentária própria, recebendo repasses Centro de Ciências Agrárias, do qual é vinculada.

Segundo a diretora da Universidade Federal do Ceará (UFC), a UUNDC recebe todo o apoio estrutural com espaço físico e material letivo, além de professoras de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. No entanto, a unidade ainda precisa contar com a “boa vontade” de outros setores para a resolução de demandas, mesmo com urgências das crianças que “não podem esperar”.

Para Fátima Saboia, o corte pode não afetar a oferta de vagas mas refletirá na UUNDC assim como em todos os setores da UFC. Atualmente, a unidade funciona com quatro turmas, sendo duas de infantil 3 (creche), uma de infantil 4 (pré-escola) e uma de infantil 5 (pré-escola). O espaço atende tanto a comunidade acadêmica quanto a comunidade local. / G1

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