O homem agrediu a ex-mulher, de 39 anos, na noite da segunda-feira, depois que ela chegou em casa do trabalho. A vítima, que terá a identidade preservada, relatou ter sofrido socos, pancadas com um pedaço de madeira e puxões de cabelo. Ao chegar à cozinha, o homem pegou uma faca.
A filha mais nova do casal, de 5 anos, também estava na casa e presenciou a agressão. A menina conseguiu também enviar mensagens para outros familiares, que se mobilizaram para ir até a casa onde a agressão estava acontecendo.
Os familiares da vítima conseguiram afastar o agressor e protegê-la. A ideia da família era segurar o homem até a chegada da polícia, mas ele conseguiu fugir para uma área de mata e permaneceu escondido por horas.
Prisão do pai
Na terça-feira (27), um dos quatro filhos do casal viu o pai, por duas vezes, passando pela rua onde a vítima mora, na comunidade de Olho D’Água dos Facundos. Na segunda vez em que avistou o pai, o filho o perseguiu até uma área de mata e conseguiu detê-lo.
Segundo familiares, o homem estava armado com uma faca, mas não conseguiu fugir com a chegada de outras pessoas que ajudaram o filho a detê-lo. Eles acionaram a polícia durante a noite e o homem acabou preso.
“Meu sobrinho foi um herói, ele conseguiu fazer um trabalho que a polícia desde cedo que tentava fazer”, contou uma familiar da vítima ao g1.
Os familiares relatam que o casamento dela terminou há cerca de um ano. Antes do término, o casal morava no Rio de Janeiro. A mulher tomou a decisão de encerrar o relacionamento e voltar para o Ceará, após passar por agressões físicas.
Segundo a irmã, o ex-companheiro voltou para a cidade, no interior do Ceará, há menos de 2 meses, e costumava enviar mensagens com ameaças. “Ele dizia que se ela não era dele, não ia ser mais de ninguém”, relatou. Na tarde da segunda-feira (26), antes da tentativa de feminicídio, o homem havia sido visto em um bar bebendo com uma amiga.
A expectativa dos familiares é de que o agressor continue preso. A menina não quis voltar para casa e está na residência da tia e da avó. A vítima também está abalada depois de sofrer a tentativa de feminicídio. A mulher pediu medida protetiva e precisou de atendimento médico após as agressões.
Medo pela filha
A ex-mulher do suspeito, vítima da agressão e mãe da menina de 5 ano, disse que durante os ataques, temia que a filha também fosse ferida ou atacada pelo pai.
“A minha sensação era que ele ia matar nós duas. Sempre que ele ia pra cima da minha filha, eu me apresentava, que era pra ele vir pra mim e esquecer a bichinha. Mas eu não sei se ele tem coragem de matar a filha dele, de encostar na filha dele”, relatou a mulher.
A mulher narrou ainda que tentou correr para fora da casa com a criança e que, em certo momento, resolveu soltar a menina. Ela pediu que a filha voltasse para dentro de casa.
“Quando eu vi que ele ia me alcançar com ela, eu tive que soltar ela, mandei ela ir pra casa e saí só correndo. Aí ela ficou só, chorando em casa. Ela foi e ligou pra minha irmã”, detalha a vítima.
Pedido de socorro da criança
Segundo a mãe da vítima, a menina de 5 anos conseguiu enviar mensagens para outros familiares, que se mobilizaram para ir até a casa onde a agressão estava acontecendo e acabaram salvando as duas.
“Eu ouvi aquela vozinha dela muito pequena me pedindo socorro: ‘Tia, venha me socorrer, que o meu pai tá correndo atrás da minha mãe com a faca. E eu tô desesperada, e ele vai me matar também’. Eu falei: ‘Calma, a tia vai pedir ajuda da família aqui’. E a minha filha já foi pedindo ajuda das autoridades”, relatou a irmã da vítima.
A tia da menina pediu ajuda a um irmão, que foi de motocicleta até a casa e foi o primeiro a chegar, após alguns minutos. Enquanto isso, a filha dela entrou em contato com a polícia para pedir ajuda.
Mesmo após a prisão do pai e o atendimento médico da mãe, a menina não quis voltar para casa e está na residência da tia e da avó. A vítima também está abalada depois de sofrer a tentativa de feminicídio.
“Nesse exato momento, ela está em choque. Tá numa situação triste. E eu tava até conversando com ela mais cedo, que ela vai ter que ter um acompanhamento com a psicóloga. A filhinha dela de cinco anos também, porque foi uma coisa muito triste que aconteceu”, relatou a irmã da vítima./g1
(Foto: Reprodução)






