“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, diz o comunicado.
A decisão do governo americano foi tomada depois de visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Donald Trump e outros membros do gabinete americano, como Marco Rubio, do Departamento do Estado, e JD Vance, vice-presidente dos EUA.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.”
“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz ainda o comunicado.
O informe foi publicado após reunião entre representantes de diversos ministérios do governo realizada no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (29) para discutir o que fazer em razão da decisão do governo dos EUA.
“Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), o CV (Comando Vermelho) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, diz outro trecho..
Na manifestação oficial, o Planalto reforça o tom de defesa da soberania que aliados já afirmavam que seria intensificado após a visita de Flávio a Trump.
“Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país. A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”
A conversa entre os ministros transcorreu sem Lula, que está no Sergipe para uma série de compromissos. Por lá, ele também comentou o episódio e criticou a tratativa do governo Trump frente ao caso.
“Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Eu estive por três horas com o presidente Trump. Três horas com ele. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o combate ao crime organizado. O senhor Marco Rúbio não estava lá. Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato a eleição nesse país que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos EUA pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.
Na fala, Lula disse ter tratado com Trump sobre o combate ao crime organizado e citou nominalmente Ricardo Magro, pedindo novamente a prisão do empresário ligado à Refit.
Participaram da reunião do Planalto representantes da Casa Civil, da Secretaria de Comunicação Social, da Fazenda, do Ministério da Indústria e Comércio, da Advocacia-Geral da União e dos ministérios da Indústria e Comércio e da Justiça.
Nos últimos meses, o governo Trump tem revisado as definições de narcoterrorismo e intensificado operações militares no exterior, sobretudo na América Latina, contra organizações assim classificadas.
Pelas redes sociais, Rubio afirmou que as organizações criminosas “são as mais perigosas do Brasil”. “Seu alcance se estende por toda a nossa região e ao nosso país. A administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar o financiamento e recursos narcoterroristas.”
Em entrevista a jornalistas na quarta-feira, Flávio tinha dito que Rubio pareceu ser favorável à designação, disse o pré-candidato, que afirmou ter passado cerca de 30 minutos com o secretário. Após o anúncio por parte do governo americano, o senador comemorou a decisão pelas redes sociais e disse que se trata de um “grande dia”./Folha SP





