Flávio disse, num pronunciamento à imprensa nesta terça-feira, 19, que foi a casa de Vorcaro, em São Paulo, para “pôr ponto final nessa história”, em referência à negociação para o financiamento do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador não respondeu a perguntas dos jornalistas.
A informação sobre a visita foi inicialmente publicada pelo site Metrópoles. “Quando Vorcaro foi preso, tivemos uma virada de chave e entendemos que a situação era grave”, afirmou.
“No final de 2025, houve aquele áudio em que eu peço uma luz para saber uma palavra final sobre o que ia acontecer. Estava em um grande risco de o filme ser encerrado. Seria uma catástrofe. No dia seguinte, ele foi preso. Nesse momento é que nós vimos ali, deu uma virada de chave, nós entendemos melhor que a situação era muito mais grave”, declarou Flávio.
“Eu falei ali dentro para os deputados: eu estive com ele (Vorcaro) mais uma vez, após esse evento (primeira prisão do banqueiro), quando ele passou a usar monitoramento eletrônico e não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui, sim, ao encontro dele para colocar um ponto final nessa história. (Fui) dizer que, se ele tivesse avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito tempo, e o filme não correria risco. Foi uma grande dificuldade arrumar outros investidores”, disse.
Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou mensagens por escrito e áudio entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos diálogos, o senador pede dinheiro a Vorcaro para ajudar bancar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o site, teria havido uma negociação para que Vorcaro ajudasse com uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões e que já teriam sido feitos pagamentos até 2025 no valor de US$ 10 milhões. O Estadão confirmou que esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação do caso Master.
A extração integral desse conteúdo foi compartilhada com a defesa de Vorcaro em fevereiro, por ordem do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, a PF não realizou nenhuma diligência ou abriu investigação para apurar esses fatos específicos envolvendo Flávio.
Em nota sobre a reportagem, o senador disse que buscava financiamento privado para a produção e defendeu a instauração de uma CPI do Banco Master. “É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, diz o texto.
Vorcaro foi preso preventivamente pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. A Polícia Federal entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga. O banqueiro foi solto 12 dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Em 4 março deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso, decidiu prender novamente Vorcaro. O ministro atendeu a um pedido da PF que o apontava como líder de uma organização criminosa voltada a vigiar e intimidar pessoas que contrariavam os interesses do Master. A defesa de Vorcaro nega todas as irregularidades, mas está negociando com o STF uma delação premiada./AE





