O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ajustado o tom das suas declarações públicas, mirando um eleitorado que se identifica cada vez menos com a polarização tradicional entre Lula e Bolsonaro. Em publicações recentes nas redes sociais, o parlamentar direcionou sua mensagem a brasileiros que “não são simpatizantes nem de Bolsonaro e nem de Lula” e que também não se declaram alinhados ideologicamente à direita ou à esquerda.
Na segunda-feira (16/2), Flávio criticou um desfile carnavalesco que utilizou fantasias retratando famílias conservadoras dentro de latas de conserva. Para o senador, houve desrespeito à fé de parte da população e uso indevido de recursos públicos. “Lula zomba do povo. O carnaval é cultura, é tradição e merece respeito. O que não dá para aceitar é usar dinheiro público para atacar a fé de milhões de brasileiros enquanto políticos aplaudem de camarote”, escreveu. A escola citada acabou sendo rebaixada na apuração realizada na Quarta-feira de Cinzas.
Dois dias depois, já nesta quarta-feira (18/2), o parlamentar voltou ao tema com um discurso mais conciliador e de valorização cultural. Em vídeo publicado nas redes, Flávio Bolsonaro destacou o papel econômico e social do Carnaval em diferentes regiões do país, citando a Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, o sambódromo do Anhembi, em São Paulo, o Galo da Madrugada, em Recife, além dos blocos de rua espalhados pelo Nordeste e Sudeste.
Segundo ele, a festa popular representa o trabalho de milhares de profissionais que atuam nos bastidores da folia. “Carnaval não é só festa, é muito trabalho também. É um exemplo de como o Brasil pode ser criativo e fazer muito, mesmo com pouco”, afirmou, parabenizando artistas, produtores culturais e trabalhadores envolvidos na realização do evento.
Analistas políticos começam a observar a mudança de abordagem de Flávio que indica uma tentativa de ampliar o alcance do discurso, buscando dialogar com eleitores moderados e com segmentos que não se identificam com a polarização política atual.
Flávio deu início a uma caminhada que que o próprio Lula tem que começar a olhar para ela com outros olhos, falar para convertidos não vai garantir a eleição, é preciso conquistar um eleitor que não está alinhado ideologicamente nem com a esquerda e nem com a direita.





