A vítima contou que reagiu desde o primeiro momento e que utilizou técnicas de artes marciais aprendidas em aulas de diferentes modalidades, como muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal. Ela detalhou que precisou fazer elevação pélvica para jogar o criminoso para fora da cama e tentar pegar o celular. Wellington de Oliveira Santos foi preso em flagrante por tentativa de estupro.
“Quando eu estava subindo a escada, ele conseguiu pegar meu pé e me derrubou no chão, puxou e arrancou um tufo de cabelo meu. Aí, eu socava ele”, relembra Jéssica.
A nutricionista pontua que o homem tinha aparelho odontológico e, por conta dos golpes que ela deu na boca dele, acabou lesionando uma das mãos.
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Jessica sofreu ferimentos pelo corpo, após entrar em luta corporal com o agressor. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/Redes sociais/Arquivo pessoal
Depois de empurrá-lo, a vítima lembra que ele conseguiu derrubá-la da escada: “Ele veio no meio da minha perna, tanto é que a minha camisola ficou rasgada assim entre as pernas”. Foi neste momento que ela aproveitou para imobilizá-lo.
“Normalmente quando a mulher tende a sofrer algum tipo de violência, ela fecha a perna com medo. E aí, eu não. Eu já imobilizei ele com a perna. Fiquei segurando e, na minha cabeça, (eu pensava:) ‘eu tô cansada, eu tô ofegante, eu tô com medo’. Porque a sensação de medo e de que vai morrer é tão gigante que você não sabe nem a reação que você vai ter na hora”, reflete.
Jéssica diz que continuou segurando o homem com a perna com “toda a força que tinha” para imobilizá-lo. Ela lembra tê-lo puxado pelo pescoço para cima de si: “Quando eu puxei, eu fechei o mata-leão nele”.
Jéssica diz que o invasor aparentava ter ódio porque estava imobilizado. Tanto que ele começou a dar socos contra a perna da vítima para tentar se desvencilhar. A perna da mulher ficou roxa de tanto que foi agredida. A nutricionista diz que começou a cansar depois de quase 15 minutos lutando para não ser estuprada. E com fortes dores nos dedos, não conseguiu segurar por muito tempo o suspeito.
“Eu precisava respirar e usar as técnicas que aprendi para sair dali com vida”, comenta. A mulher mentiu para o homem que estava rendida. E, neste momento, o agressor já estava segurando a boca dela. “Ele tirou a mão e pediu para eu não gritar. Eu perguntei se ele iria embora se eu soltasse a minha perna, ele disse que não”, conta a nutricionista.
“Ele dizia rindo, ele é frio, calculista, é um ser humano desprezível. Na hora, eu pensei que ele fosse me matar. Então, eu tinha que lutar para sobreviver”, rememora a cearense. Quando ela fingiu que estava rendida, o criminoso baixou a guarda e ficou vulnerável.
“Ele ficou com o peito de fora. Ele tentava levantar minha blusa com a boca e tentar fazer coisas horríveis. Na hora que ele levantou, que ele subiu, eu desfiz a imobilização da perna e dei com os dois pés no peito dele. Joguei ele na parede, ele caiu, foi uma pancada muito grande, porque eu fui com toda a força que eu tinha”, conta Jéssica.
E complementa: “Quando ele caiu, ele caiu meio que desmaiado. E aí, no instinto, eu fui pra cima dele, ainda dei um soco de cima pra baixo”.
Neste momento, Jéssica se deu conta novamente da escada. Ela deslizou duas vezes, uma na sala e outra na cozinha, até conseguir sair do apartamento, localizado em Barueri. “Por sorte, ele não tinha trancado a porta quando entrou”, conclui.
Invasão do prédio
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Wellington de Oliveira Santos foi preso em flagrante por tentativa de estupro. — Foto: Montagem/g1/Reprodução
As imagens mostram Wellington entrando no condomínio ao aproveitar a saída de um morador às 8h22 do dia 23 de maio deste ano. Segundo a a vítima, o acesso ao local era controlado por reconhecimento facial.
Na sequência, o homem passa pela catraca da recepção sem ser percebido pelos funcionários e segue para os elevadores. Pouco depois, ele aparece no 18º andar, onde mora a nutricionista.
Naquela manhã, Jessica estava sozinha no apartamento. Segundo ela, o namorado havia saído por volta das 7h para participar de um evento escolar da filha. Como não tinha as chaves do imóvel e pretendia retornar depois, ele deixou a porta apenas encostada para não acordá-la. A nutricionista continuou dormindo no quarto, localizado no piso inferior.
Jessica afirmou que a situação não era incomum. Por acreditar estar em um condomínio com controle de acesso e segurança, já havia deixado a porta destrancada em outras ocasiões, como para buscar entregas na recepção.
Natural de Fortaleza (CE), Jessica mora em São Paulo há cerca de um ano e meio e estava no apartamento alugado havia aproximadamente 8 meses.
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Jessica entrou em luta corporal por mais de 10 minutos com Wellington. — Foto: Montagem/g1/Reprodução
(Foto: Reprodução)





