/Entregadores de aplicativos pedalam até 70 km durante 13 horas por dia em Fortaleza; ‘Não tenho folga’

Entregadores de aplicativos pedalam até 70 km durante 13 horas por dia em Fortaleza; ‘Não tenho folga’

O entregador Anderson Corrente (25) chega a pedalar nove horas por dia, percorrendo, no mínimo, 70 quilômetros (km) diariamente. Isso porque a sua principal fonte de renda é fazer entregas de pedidos realizados por aplicativo utilizando a bicicleta como meio de transporte. Com os altos níveis de desemprego, essa é uma das novas atividades para gerar renda que estão surgindo no Brasil.

Atuando como autônomos, os entregadores são remunerados de acordo com o volume de entregas que realizam. Com uma taxa média mínima de entrega a R$ 4, é preciso realizar uma quantidade de entregas alta para conseguir uma remuneração que valha a pena. Anderson ganha entre R$ 300 e R$ 400 por semana rodando de domingo a domingo.

“Eu não tenho folga. Teve um dia que comecei às 10h da manhã do sábado e quando parei já eram 4h do domingo. Na época eu não tinha o monitor de distância, mas bati os 140 km fácil”, conta.

Apesar da alta carga horária, Corrente afirma ser um trabalho bem tranquilo. “Quando tem entrega, a gente vai; mas quando não tem, fico sentado esperando. Não é no pique toda hora”, detalha. Ele diz entregar para três aplicativos: Rappi, Uber Eats e Bee, este último destinado a restaurantes, sem passar diretamente pelo consumidor final. Além destes, o rapaz ainda faz entregas para dois restaurantes particulares e para uma loja virtual de doces.

O entregador, que sempre utiliza equipamentos de segurança e roupas apropriadas, relata que já se envolveu em vários incidentes de trânsito e sofre problemas com as entregas do dia a dia.

“Tem gente que é abusada, restaurante que trata mal, cliente que demora a ir receber o pedido. Isso, em específico, é muito ruim pra gente porque tem a hora do rush das entregas, que é no almoço e jantar. Quando a pessoa demora muito a ir receber, estamos perdendo o tempo de realizar outra entrega, que renderia mais dinheiro”, explica Anderson./ G1

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