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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Deu no Estadão: Pedro Dória diz que Lula precisa ter uma relação diferente com a imprensa
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Deu no Estadão: Pedro Dória diz que Lula precisa ter uma relação diferente com a imprensa

Ultima atualização: 12/03/2021 10:02 AM
Redação
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5 Min. de Leitura
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Nesta sexta-feira (12/03) o jornalista Pedro Dória, em seu artigo no Estadão, faz uma brilhante análise sobre a relação do ex-presidente Lula coma imprensa. Lula e todos os partidos políticos, na era das “fake news” e da produção em série da desinformação deviam presar pelo papel da imprensa, que joga luz nas sombras e mantém viva a chama da democracia. 

Confira o artigo:

“Foi num discurso com a verve que lhe é única, com o carisma que nenhum outro hoje tem, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se colocou de volta na cena política brasileira. Ele não o disse com clareza, mas fez discurso de candidato ao Planalto. Só que o Brasil de 2021, assim como o de 22, não é mais aquele que ele deixou ao descer a rampa do Palácio há dez anos. Neste Brasil de hoje, desinformação é o que nutre a máquina que ameaça a democracia. A ação responsável de qualquer líder político terá de ser diferente do que noutros tempos.

Quando Lula era presidente, o PT tinha uma máquina na internet imbatível por qualquer outro grupo político. Uma cadeia de sites e blogs, alguns feitos por jornalistas ligados ao partido, outros por militantes, trabalhava um dia após o outro para oferecer uma versão governista dos fatos. O noticiário, as análises, as entrevistas, tudo funcionava como contraponto àquilo que a imprensa independente produzia. Com todos os atritos que geraram no tempo, tinham uma atuação muito distinta da máquina de desinformação bolsonarista. Havia transparência: autores assinavam textos com seus nomes e os debates provocados eram feitos à luz do dia.

Não é que o PT nunca tenha lançado mão de desinformação. Claro que lançou, e poucos exemplos são mais claros — e desleais — do que a campanha contra a candidata do PSB em 2014, Marina Silva. A propaganda petista na TV a acusava de dar controle da economia aos banqueiros por tornar independente do Banco Central. Nas imagens, o resultado era comida sumindo do prato das pessoas, como se a fome fosse voltar por esta decisão.

O jogo eleitoral nunca foi plenamente limpo, Fernando Collor atuou contra o próprio Lula de forma ainda mais desleal, em 1989, e visto de hoje parece até ingênuo criticar qualquer grupo político por suas práticas do passado. Perante um governo como o de Jair Bolsonaro, que opera na mentira o tempo todo, que distorce informações por praxe corriqueira, todas as outras forças políticas brasileiras jogam com muito mais elegância.

Mas é por isso mesmo que o PT não pode mais atuar como atuou no passado. É preciso um pacto do PT, do PDT, do PSDB, de todas as legendas de defesa da confiança na informação. Do ambiente de informação. Da garantia da coerência e integridade da informação que chega aos brasileiros. Foi o que Lula fez em seu discurso, por exemplo, ao dar ênfase às mensagens a respeito da pandemia. Em prol da vacina, do isolamento, do álcool gel.

Isto quer dizer também que não dá mais para infantilizar críticas à imprensa. Questionar uma reportagem, discutir um número, reclamar de uma informação imprecisa, tudo é do jogo. Mas há instituições cujo trabalho é colocar informação perante a sociedade numa democracia. A academia é uma delas. ONGs. Institutos. Também a imprensa — diariamente. Ataques sistemáticos à instituição imprensa, como se tornaram praxe no governo Lula após a explosão dos escândalos de corrupção, hoje ganham outra dimensão.

Hoje alimentam o monstro da desinformação.

Quando políticos atacam a imprensa é sempre porque não gostam do que leem. Mas esta relação, numa democracia, só é mesmo saudável quando tensa. O jornalismo não está a serviço de quem está no poder, sua função não é agradar e militantes vão sempre se queixar. É assim, não deixará de ser assim.

Este, porém, é um momento em que parte da população vive uma realidade paralela. O pacto democrático necessário é o de preservar a maioria que ainda vive no mundo real. Os adversários de Jair Bolsonaro têm esta responsabilidade. Não com a imprensa — ou academia, ou ONGs —, mas com a democracia.”

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