O POVO conversou com a professora na manhã desta sexta (11/12), logo quando ela se preparava para fazer sua primeira visita ao Palácio da Abolição como nova assessora especial do governo Camilo Santana. Ansiosa, mas contente com o novo cargo, Zelma explicou que esse primeiro momento no cargo é mais para observar, estudar e diagnosticar o contexto. “Um governo que se julga popular e democrático tem que dialogar com movimentos sociais. Nosso propósito maior é democratizar o Estado”, pontuou.
Para isso, ela aposta em deixar o diálogo aberto com os movimentos, manter uma postura respeitosa com pensamentos diferentes e mediar os conflitos, sempre que possível. “Movimentos sociais para mim não são coisas distantes. Tenho chão nas lutas populares. A gente já sabe dessas demandas, que não são só identitárias. Não sou estrangeira a esse campo”, disse.
A assessoria especial, que no Ceará tem status de secretaria, integra a estrutura organizacional do Gabinete do Governador e é uma pasta voltada a acolher e demandar políticas para os grupos sociais. Por ela, já passaram nomes como Acrísio Sena.
A entrada de Zelma Madeira, no entanto, representa uma nova virada no jogo e traz esperança para os anos à frente. Formada em Serviço Social pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), mestre em Sociologia do Desenvolvimento e doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Zelma tem uma longa trajetória na luta por igualdade racial no Estado e entende seu lugar enquanto mulher negra nesses espaços: “Todo lugar que eu for eu levo a transversalidade da política de igualdade racial (…) Acredito que a questão racial é um eixo estrutural da formação brasileira. Essa minha experiência de gestão levo para todo e qualquer lugar em que eu possa trabalhar”, conta.
Zelma deixa a coordenadoria de Políticas Públicas para Igualdade Racial da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos em um momento especial. A campanha “Ceará sem Racismo – Respeite minha história, Respeite minha diversidade”, liderada pela professora, venceu o Prêmio Innovare 2020, na categoria Justiça e Cidadania. “Foi uma excelente experiência, mas agora posso ter oportunidade de estudar outros grupos étnicos. Me aproximo de povos originários. Acredito que essa contribuição foi boa (na coordenadoria) mas posso ampliar meus horizontes”.
A premiação nacional divulga práticas que contribuem para o aprimoramento da justiça e cidadania no Brasil e pela primeira vez contempla uma campanha com esta temática, segundo o Governo do Estado. A ação já se tornou exemplo para outros estados e coloca o Ceará em uma posição importante na luta, apesar das complexas dificuldades que ainda enfrenta.
O combate à criminalização dos movimentos sociais, democratização da máquina pública e construção de uma política coletiva são os fundamentos da nova gestão de Zelma. Para a estudiosa, a reconstrução do País em 2021 começa com alguns desafios prioritários: garantir a chegada da vacina contra a Covid-19 de forma equânime e acessível, deixar de lado “posturas narcísicas” e criar um ambiente que seja democrático, firmando alianças para “poder suprir o que o Governo Federal não faz”.
Para a assessora, é esse horizonte do diálogo que o Estado deve almejar para conseguir diagnosticar melhor as demandas e fazer o máximo possível. “Eu acho que a assessoria é promissora nesse sentido. É um canal de diálogo. Não só pra dizer coisas ruins e negativas, mas também trazer propostas”, avalia. Zelma compreende que o novo cargo traz outros desafios, mas está contente em assumir esse compromisso. “Cabe sabedoria, compreensão. Temos que analisar, diagnosticar, propor”. Esses são os verbos para 2021.
Zelma Madeira: Espero que em 2021 a gente consiga vacina gratuita e para todos. Esse ano foi uma grande tragédia. A gente vai sair “catando” o que sobrou e ir articulando. A assessoria tem um papel de puxar para dimensão de desenvolvimento social. Mesmo diante das dificuldades temos que ter inteligência e criatividade.
(Com informações/ O Povo)






