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Ceará Notícias > Blog > Destaques > ‘Vou levar para o túmulo’, diz Flávio Bolsonaro ao NYT sobre como fugiu do Brasil
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‘Vou levar para o túmulo’, diz Flávio Bolsonaro ao NYT sobre como fugiu do Brasil

Ultima atualização: 05/11/2026 6:43 PM
Redação
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11 Min. de Leitura
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Flávio Bolsonaro (PL) estava saindo do condomínio fechado onde seu pai está em prisão domiciliar, segundo ele, quando decidiu que preferia deixar o Brasil a correr o risco de ter o mesmo destino.

Essa decisão, que Flávio afirmou ter tomado apenas na manhã seguinte à derrota nas eleições presidenciais do Brasil, levou-o a uma fuga espetacular de 8 mil quilômetros para escapar de investigações criminais, atravessando a América do Sul até finalmente chegar aos Estados Unidos.

O jato que o levou a Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca e sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump, segundo autoridades americanas. Ainda há muitas incógnitas sobre a viagem, que também levou Flávio ao Equador e à Argentina, onde um dos principais assessores do presidente argentino o recebeu em um aeroporto.

No entanto, em sua primeira entrevista desde que fugiu na semana passada, Flávio afirmou que realizou essa viagem surpreendente e secreta inteiramente por conta própria.

“Fui eu sozinho”, disse ele ao The New York Times na tarde de quarta-feira, 4. “Não tive ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo.”

“Como cheguei até aqui”, acrescentou ele, “isso vou levar comigo para o túmulo”.

O plano de partir, disse ele, foi decidido espontaneamente com sua esposa, embora soubesse que tinham amigos no exterior: “Pode ter havido algum incentivo, mas nada além disso”.

Flávio Bolsonaro, 45 anos, que enfrenta várias investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e à corrupção no Brasil, fugiu depois que as autoridades brasileiras ordenaram que ele entregasse seus passaportes. Na quarta-feira, ele reafirmou sua inocência e insistiu que, caso tivesse permanecido no país, teria enfrentado uma condenação quase certa.

“Já sei que o resultado final será minha prisão”, disse Flávio. Ele classificou o Judiciário como excessivamente zeloso e motivado por interesses políticos, destacando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou seu pai à prisão por tentar dar um golpe de Estado após perder a eleição de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em uma entrevista de 75 minutos, Flávio, senador de direita, reconheceu, em alguns momentos, a situação difícil pela qual sua família passa atualmente — passando da iminência de retornar ao poder no Brasil para um exílio repentino no exterior.

Não só seu pai, Jair Bolsonaro (PL), enfrenta uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, como seu irmão Eduardo também fugiu para os Estados Unidos, onde permaneceu após ser condenado no Brasil por instigar o governo Trump a interferir no julgamento de seu pai.

Flávio Bolsonaro não foi acusado de nenhum crime; no entanto, assim que seu mandato como senador terminar, no início de 2027, ele perderá a imunidade parlamentar e poderá ser processado.

Embora seu próprio partido tenha aceitado o resultado da eleição, Flávio se manteve inflexível ao rejeitar sua derrota no mês passado para Lula, que ele alegou, sem apresentar provas, ser “matematicamente impossível”.

“Sei que isso não vai levar a nada”, disse ele sobre suas frustrações. “Perdi para o sistema.”

Ele reclamou longamente dos gastos do governo durante a campanha, alegando que isso deu a Lula, um político de esquerda, uma vantagem injusta. Ele criticou veementemente o movimento digital que ajudou a impulsionar seu rival. E ampliou drasticamente suas alegações de fraude, às vezes ecoando as teorias da conspiração que seu pai já havia divulgado sobre as urnas eletrônicas do Brasil, um sistema que especialistas internacionais consideram um dos mais seguros do mundo.

“Tenho minhas suspeitas”, disse Flávio quando questionado sobre suas alegações. “Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado.”

Quatro anos atrás, as alegações de seu pai encontraram um público receptivo, inspirando simpatizantes a acampar em frente a quartéis militares por todo o Brasil. Milhares de manifestantes invadiram os centros de poder do Brasil em 8 de janeiro de 2023, exigindo que o Exército anulasse o resultado apertado.

Seu filho mais velho enfrenta um cenário totalmente diferente. Lula venceu por ampla margem, e os principais líderes do partido de Flávio afirmaram que não havia indícios de fraude. Até o momento, poucos brasileiros saíram às ruas em protesto contra a derrota. Até mesmo seus aliados de direita na América Latina reconheceram a vitória de Lula.

Ainda assim, Flávio afirmou que foi privado da presidência de forma fraudulenta.

Até agora, as reclamações dele haviam se concentrado principalmente na prorrogação do horário de votação, que, segundo Flávio, foi determinada por um juiz com motivação política.

Na verdade, ambos os candidatos haviam solicitado a mudança porque chuvas torrenciais e atrasos nos ônibus haviam dificultado o acesso dos eleitores em algumas regiões. Mas a decisão judicial que concedeu a prorrogação foi proferida perto do fim da votação, causando confusão, já que algumas seções eleitorais tiveram dificuldade para permanecer abertas.

No entanto, isso acabou afetando apenas 34 mil votos, o que, segundo as autoridades eleitorais brasileiras, foi um número muito pequeno para alterar o resultado; Lula venceu por 4,4 milhões de votos.

Mas Flávio, que até então vinha adotando um tom mais moderado do que seu pai em muitas questões, incluindo o sistema eleitoral, reforçou e ampliou suas acusações.

Ele falou em fraude eleitoral e reafirmou alegações — já desmentidas — de uma falha de segurança na sala-cofre onde os computadores apuram os votos. A extensão do horário de votação, alegou ele sem apresentar provas, poderia ter servido como pretexto para adicionar ilegalmente muitos mais votos à contagem de seu adversário.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela supervisão das eleições, rejeitou suas alegações. Observadores internacionais independentes também atestaram a integridade da eleição, e dezenas de países reconheceram o resultado.

Embora os Estados Unidos não estejam entre os países que reconheceram a vitória de Lula, Trump limitou-se a sugerir que as eleições no Brasil pareciam “estranhas”, recusando-se a dizer quem havia vencido.

Flávio não o criticou. “Ele não tomou partido, o que é a atitude correta”, disse, agradecendo Trump por permitir que ele permanecesse nos Estados Unidos.

E mesmo depois que Trump afirmou, na semana passada, que não tem planos de se encontrar com Flávio, sua equipe mantém a esperança de que haja um encontro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Mar-a-Lago, nos próximos dias.

Do exterior, Flávio afirmou que tentaria contestar judicialmente a vitória de Lula, embora tenha reconhecido que isso tem poucas chances de sucesso. Ele também planeja apoiar aliados no Brasil que defendam sua agenda, incluindo a redução da maioridade penal e a busca por anistia para seu pai e para os manifestantes do dia 8 de janeiro.

Ao mesmo tempo, Flávio evitou responder às perguntas sobre se também planeja pressionar o governo Trump para que tome novas medidas contra o Brasil.

O Departamento de Estado designou, neste ano, as duas maiores organizações criminosas do Brasil como grupos terroristas, e Trump, no ano passado, recorreu a tarifas e sanções para tentar pressionar o Brasil a arquivar o processo contra Jair Bolsonaro.

Na manhã seguinte à sua derrota eleitoral, contou Flávio, as autoridades o abordaram quando ele saía da casa de seu pai para informá-lo de que tinha 24 horas para entregar seus passaportes. O pai, com lágrimas nos olhos, chamou o filho à parte antes de se separarem, segundo Flávio.

“Ele olhou nos meus olhos e disse: ‘Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?’”, lembrou ele.

“Eu disse: ‘Pai, eu já sei’”, acrescentou Flávio. “‘E estou preparado, sei o que tenho que fazer.’ Virei as costas e fui embora.” Nenhum dos dois falou em um plano de fuga, disse ele.

Algumas horas depois, Flávio postou um vídeo nas redes sociais dizendo que planejava entregar seus documentos, conforme ordenado. “Nunca pensei em sair do país”, disse ele no vídeo, prometendo liderar a oposição depois que seu partido conquistou grandes vitórias no legislativo brasileiro.

Logo em seguida, ele desapareceu — para reaparecer em Miami cerca de 42 horas depois.

Flávio, sua esposa e suas duas filhas poderão agora permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, ao abrigo de um status de imigração normalmente concedido por motivos humanitários.

Flávio disse que ainda não tem certeza de onde sua família irá se estabelecer. Seu irmão mais novo, Eduardo, mora no Texas e recebeu recentemente o status de residente permanente, conhecido como green card.

No entanto, depois que um democrata conquistou o cargo de governador do Texas nas eleições de meio de mandato desta semana, Paulo Figueiredo, um dos aliados próximos da família Bolsonaro, sugeriu a Flórida como uma base natural para a família.

Flávio disse que sua família está se adaptando, embora ele espere que isso seja apenas temporário. “Vou precisar seguir em frente com minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, afirmou.

Ainda assim, ele não descartou um retorno. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”/AE

(Foto: Reprodução)

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