Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista
Dois fatos políticos chamaram a atenção nos últimos dias envolvendo o deputado federal Capitão Wagner (PROS), principal nome de oposição a família Ferreira Gomes e pretenso candidato ao governo do Ceará.
Primeiro, Wagner saiu na defesa de Dilma Rousseff (PT), no embate nas redes sociais em que a ex-presidente travou com o ex-ministro e presidenciável pelo PDT, Ciro Gomes.
Wagner fez um aceno ao PT e flertou com a deputada federal Luizianne Lins, outro nome contrário a família Ferreira Gomes, por ocasião da troca de farpas entre Ciro e Dilma. Capitão Wagner pediu mais respeito às mulheres e como de costume emplacou mais uma crítica ao pedetista Ciro Gomes.
O aceno de Wagner ao PT ocorre no momento em que a sigla trava uma luta interna entre as duas linhas de pensamento dos maiores expoentes do Partido dos Trabalhadores no Ceará, Lula e Camilo. Uma ala quer um palanque forte para Lula, enquanto a outra defende uma aliança com o PDT e uma vaga majoritária para Camilo como candidato ao Senado na aliança entre as duas legendas.
Wagner tenta tirar uma casquinha do momento conflituoso entre PT e PDT e ao mesmo tempo joga mais lenha na fogueira com o objetivo de ampliar sua base com os dissidentes da beligerância.
O outro fato político envolvendo Capitão Wagner foi sua ausência no evento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na “Jornada das Águas” na cidade de Russas, no Ceará. A falta do parlamentar foi registrada pelos olhares atentos dos observadores da política cearense.
A assessoria do parlamentar informou que ele teria um compromisso em São Paulo na mesma data, estando agendado há mais de um mês e, por esta razão, não compareceu para assinatura de projetos de obras hídricas para o Estado com a presença de Bolsonaro.
A ausência de Wagner é questionada por se tratar de evento com o presidente da República, aliado do parlamentar e principalmente porque envolve obras hídricas importantes para municípios cearenses, em um Estado em que impera a escassez de água.
Nas primeiras visitas ao interior cearense, Wagner defendia ferrenhamente o bolsonarismo, chegando a afirmar que seu palanque seria o mesmo de Bolsonaro no Estado. Com as constantes quedas do presidente da República em pesquisas recentes realizadas por institutos diferentes, alguns aliados do bolsonarismo começam a se distanciar do mandatário da nação.
Diante dos dois últimos fatos políticos envolvendo o deputado federal, fica uma dúvida no ar: estaria Capitão Wagner flertando com o PT e tentando se descolar da imagem de Bolsonaro no Ceará?
(Foto: Thiago Gadelha/reprodução)






