No Cariri, Ciro foi cirúrgico ao delimitar o campo de batalha. Ao afirmar que “o pacto é estadual, não presidencial”, o ex-ministro deixa claro que a oposição tentará escapar da polarização nacional Lula X Bolsonaro. A estratégia é descolar o debate local do embate federal e disputar o eleitor pelo discurso da mudança, apresentando o Ceará como um caso à parte, que precisa “virar a página” após um longo ciclo político.
A tese é clara: romper o ciclo atual e convencer o eleitor de que a alternância é necessária para oxigenar o Estado. Ciro aposta que o desgaste natural do poder e das lideranças que o cercam, em especial ao ministro da Educação Camilo Santana a quem tem direcionado suas críticas mais contundentes. Essa é a ideia para abrir espaço na construção de uma narrativa de ruptura, sem carregar o peso da polarização ideológica nacional do bolsonarismo a quem já fez duras críticas em um passado recente.
Do outro lado, em Missão Velha, Elmano de Freitas antecipou o DNA da estratégia governista. Ao revelar que a campanha será comandada por Cid Gomes e Camilo Santana, o governador sinaliza que o foco será a comparação de entregas. A base governista pretende apresentar ao eleitor um ciclo contínuo de resultados com os governos de Cid, Camilo e Elmano; com o apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não apenas as realizações de um único governo.
A lógica governista é confrontar narrativas com números, obras e políticas públicas: o que o ciclo atual entregou ao Ceará contra o que a oposição efetivamente entregou quando teve oportunidade. É a defesa explícita da continuidade, ancorada na ideia de estabilidade, previsibilidade e resultados acumulados.
Assim, o cenário político do Ceará começa a se desenhar. De um lado, a oposição tenta nacionalizar menos e estadualizar mais, apostando na mudança e na ruptura do ciclo político. Do outro, o governo reforça a continuidade, a comparação de gestões e a força de um grupo político consolidado, com respaldo federal.
Mas a eleição de 2026 não se decidirá apenas por teses. Continuidade, mudança e polarização estarão no centro do debate, sim. Porém, ao fim e ao cabo, o eleitor também vai julgar lideranças, desgastes acumulados, expectativas frustradas e promessas de futuro.
É nesse ponto que a decisão será tomada. Confira o comentário completo do colunista Reginaldo Silva:





