O advogado das vítimas Aécio Mota, diz que a audiência parecia “um circo de horrores” e lamentou o fato das vítimas logo após a audiência terem se manifestado querendo desistir da ação, uma vez que se sentiram novamente violentadas e diante de uma situação em que acreditavam que nada aconteceria por parte da Justiça e a impunidade prevaleceria em relação aquele caso.
Uma das vítimas de crime sexual, que terá seu nome preservado, lamentou os comentários machistas e a forma como foram tratadas na audiência.
O advogado Aécio Mota relata que em “vários momentos o juiz menosprezou o comportamento das mulheres nos dias atuais, insinuando que as mulheres atualmente também são culpadas pelo comportamento de homens abusivos. Esbanjou machismo e desdenhando das vítimas de violências sexuais. O que se mostrou em audiência foi um total desrespeito e desconsideração de todo o trauma causado pelas violências que aquelas mulheres já tinham sofrido, principalmente por um Juiz, que deveria se referir de maneira respeitosa àqueles presentes na audiência”, enfatizou o advogado.
EM TEMPO 1
A Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, por meio de sua procuradora, a deputada estadual Lia Gomes, repudiou as falas. “Os comentários fomentam um discurso discriminatório contra as mulheres, culpabilizam as vítimas e as expõem a mais uma violação de direitos. Falas como essas, expressas por uma autoridade que deveria garantir justiça às vítimas de abuso sexual, apenas dificultam que mulheres em situação de violência realizem denúncias, reforçando a cultura de descredibilização da vítima.
EM TEMPO 2
Em Nota conjunta, os Conselhos dos Direitos da Mulher do Ceará repudiaram as falas do juiz, ao se solidarizarem com as 10 mulheres vítimas de crimes sexuais que foram revitimizadas por aquele que deveria zelar por seus direitos”, diz um trecho da Nota.
(Foto: reprodução)






