A votação foi unânime entre os senadores presentes. O presidente do Senado, Basilio Núñez, anunciou a destituição de Peña por mau desempenho de suas funções. A decisão foi comemorada por manifestantes que aguardavam o resultado em frente ao Congresso, na capital paraguaia.
O escândalo começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, na terça-feira (3/11), por problemas de solvência. A medida bloqueou o acesso de milhões de clientes aos depósitos, provocando protestos e ampliando a pressão sobre o governo. Parte dos correntistas começou a recuperar seus recursos, enquanto as autoridades buscam restabelecer a confiança no sistema financeiro.
Peña mantinha vínculos empresariais anteriores com o grupo controlador do banco e é acusado de conflito de interesses, favorecimento regulatório e direcionamento de recursos públicos à instituição, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS). O ex-presidente nega irregularidades, e as acusações seguem sob investigação.
Após a destituição, a Polícia Nacional cumpriu uma ordem de detenção expedida pelo Ministério Público. Peña, de 47 anos, permanece em prisão domiciliar enquanto a Justiça apura suspeitas de abuso de confiança, tráfico de influência e utilização indevida de recursos públicos.
Antes da votação, Peña havia anunciado sua renúncia, mas o Congresso decidiu dar continuidade ao impeachment. Em mensagem publicada na rede social X, o então presidente afirmou que se despedia do cargo com gratidão e pediu união aos paraguaios para reconstruir a confiança nas instituições.
Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai, com mandato previsto até agosto de 2028. O novo governo enfrenta o desafio de administrar a crise financeira, garantir a devolução dos recursos aos clientes prejudicados e enfrentar as consequências políticas do escândalo bancário.






