
PONTO POLÍTICO
Reginaldo Silva- Ceará Notícias
Nunca a letra do Hino Nacional fez tanto sentido como neste domingo. A vitória de Lula ultrapassa as fronteiras do país e ecoará pelo mundo com a simbologia de um muro de proteção contra o avanço da extrema direita e símbolo de uma ponte para um novo mundo.
Das margens do Ipiranga, surge um brado retumbante de um povo heroico. O sol da liberdade brilhou com raios fúlgidos em uma pátria movida pela força de um povo cheio de esperança e fé.
A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro se explica por uma série de fatores.
Na minha análise, Flávio perdeu para ele mesmo. Pelo salto alto do clima de já ganhou na virada do primeiro turno. Pela arrogância das declarações quando já falava como presidente. Quando declarou que mudaria a Constituição, quando falou em redemocratizar o país. O Brasil já conhecia o histórico familiar.
O herdeiro de Bolsonaro perdeu quando abandonou a postura de candidato para virar sombra em um debate eleitoral. Flávio perdeu quando chamou o presidente de “nove dedos”, uma forma preconceituosa e rasteira de tratar um presidente octogenário que se acidentou trabalhando.
Flávio fez do desdém e do deboche sua arma principal no segundo turno. Ele deveria ter lido “Duda Mendonça”, o mago do marketing que alertava que a ironia e o deboche não são bons conselheiros. O senador perdeu quando passou a ser mais Nikolas e Marçal, que ajudaram o povo brasileiro a desvendar o verdadeiro Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Por fim, Flávio perdeu para ele mesmo, por alimentar a soberba e a arrogância que conseguiu esconder no primeiro turno.
E Lula venceu como?
Na minha leitura, Lula venceu no segundo turno por um conjunto de fatores que se entrelaçaram ao longo da campanha. Os fandoms furaram a bolha dos extremos e se uniram a milhares de estudantes do Brasil inteiro que ganharam as ruas entoando gritos de guerra: “trabalhador olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar”. Era um alerta e um pedido de socorro por um país que precisa investir em Educação.
O presidente foi reeleito porque esses estudantes uniram seu pensamento ao de artistas e intelectuais desse país. Cantores, compositores, apresentadores, atores e atrizes não conseguiram se conter diante da força contagiante da juventude lutando por seu país. Pipocaram declarações de apoio a Lula de ponta a ponta do Brasil e até de outros países.
Lula venceu a eleição porque encontrou um general chamado André Janones disposto a montar um Exército com 10 milhões de soldados com um único número, o 13. Eles se empenharam diuturnamente para levar as pessoas as urnas e diminuir a abstenção no país e conseguiram essa redução de um 1,86 ponto percentual.
Esse Exército conseguiu arregimentar um grupo gigantesco de ex-combatentes, os idosos. Eles, mesmo cansados e feridos, não fugiram à luta e foram às urnas fazer a diferença na vitória do presidente Lula.
Eis que em meio a esse turbilhão de emoções, surge uma ilha que envolvia o jogador Richarlison, Flávio e seu amigo Willer Tomaz que foi capaz de despertar um sentimento de revolta de parte da população por conta do desdobramento da compra dessa propriedade. O fato também ajudou Lula.
No debate da Globo, o caso de uma criança morta por um tiro de fuzil, no qual Flávio integrou a defesa do policial acusado de efetuar o disparo, também ganhou forte repercussão na reta final da campanha
A força coletiva provocada pela interligação desses fatos, promoveu as maiores manifestações desse país; nas ruas, nas redes sociais e nas urnas.
Mesmo com a campanha de Lula relatando a luta contra grupos extremamente poderosos, Lula seguiu levantando seu cajado: “os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera”. O povo entendeu o chamado, sobretudo o da região Nordeste: “presidente, verás que um filho teu não foge à luta”.
E a vitória foi confirmada neste 25 de outubro!






