Frias é produtor-executivo e roteirista da obra. Ele também é responsável por fazer o repasse de emendas parlamentares a empresas de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora.
A Folha tentou o contato com o parlamentar, que não respondeu. Em vídeo publicado em redes sociais, chamou a ação da PF de “cortina de fumaça” e negou irregularidades.
Frias foi alvo de busca e apreensão em operação da PF autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta quinta. Ele também está proibido de sair do Brasil.
Segundo documento que embasou a operação, Frias realizou transferências no montante de R$ 645.400,00 à Go Up, no período de 10 de novembro de 2025 a 30 de dezembro de 2025.
A instituição afirma que o montante não é compatível com o salário do parlamentar, de R$ 44 mil.
“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de 60 dias”, diz o documento.
No texto, Frias é citado como integrante de uma organização criminosa que teria praticado crimes como os desvios de recursos públicos vindo de emendas. Em outro trecho, ele é citado como aquele que encabeça o “núcleo político” da organização.
“Conforme demonstrado ao longo desta peça, a continuidade da atuação da organização criminosa sob investigação, cujo núcleo político é encabeçado pelo Deputado Federal Mário Frias, se apresenta evidente, notadamente através do alto volume de recursos de origem pública movimentado nas contas do Instituto Conhecer Brasil de Karina Gama, mas também como denotam as tentativas de mascarar as evidências de fraude que foram empreendidas após o início das fiscalizações pela CGU”, aponta o texto.
Frias também teria direcionado emendas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, presididos por Karina, para, segundo a PF, “custear contratos celebrados de forma fraudulenta e cuja execução não atendeu às finalidades previstas nos instrumentos contratuais, favorecendo empresas de propriedade de pessoas também ligadas aos integrantes da ORCRIM, com claros indícios de favorecimento e de desvio de valores”.
A instituição também destaca proximidade de Karina com Frias, como revelado, e menciona que uma das empresas de Karina já prestou serviços à campanha do parlamentar./Folha SP
(Foto: Reprodução)






