Segundo Camilo, a reação de Michelle tem lógica política diante do histórico de críticas feitas por Ciro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, à própria Michelle e aos filhos do ex-presidente. Para o senador, a aproximação entre Ciro e o PL no Ceará revela uma contradição difícil de sustentar.
“A Michelle está sendo coerente. O candidato que representa o bolsonarismo no Ceará não é o Ciro, é o senador Eduardo Girão. Como a pessoa pode se sentir? Bolsonaro foi agredido pelo Ciro. Falaram mal do marido, falaram mal dela, falaram mal dos filhos e agora é o meu candidato do Ceará? Incoerência. Será que a política é um vale tudo?”, afirmou Camilo.
O senador classificou a aliança de Ciro com o bolsonarismo no Ceará como “oportunismo do momento” e defendeu que a política deve ser feita com base em ideias, trajetória e coerência pública. A fala mira diretamente a tentativa de Ciro de construir uma aliança estadual com o PL sem assumir, no mesmo peso, o desgaste nacional dessa aproximação.
Camilo também descartou qualquer possibilidade de disputar novamente o Governo do Ceará. Segundo ele, o nome da base governista é o do governador Elmano de Freitas, e a estratégia será comparar as entregas da atual gestão com o projeto da oposição.
O petista citou exemplos recentes para reforçar sua avaliação sobre o cenário eleitoral. Lembrou que Evandro Leitão começou a campanha em Fortaleza com baixo percentual nas pesquisas, que Elmano iniciou a disputa estadual com 8% e acabou eleito em primeiro turno, e destacou que Ciro teve votação reduzida em Sobral na eleição presidencial passada.
Para Camilo, Ciro tenta se apresentar como alternativa ao atual governo, mas será confrontado pelo histórico político, pelas alianças feitas e pelo discurso da oposição. A fala do senador recoloca a aliança entre Ciro e o PL no centro do debate e amplia a pressão sobre o ex-ministro, que tenta isolar a disputa cearense da polarização nacional.






