Embora o procedimento seja recomendado por especialistas para aliviar sintomas respiratórios, erros na técnica podem causar complicações.
“Entre os problemas mais comuns estão dor ou ardência no nariz, tosse, engasgos e sensação de afogamento. O uso inadequado dos dispositivos também pode causar pequenos traumas e sangramentos na mucosa nasal”, descreve a otorrinolaringologista Cristiane Passos Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista.
Ainda de acordo com a especialista, existe uma ligação natural entre o nariz e o ouvido médio por meio da chamada tuba auditiva. Quando a lavagem é feita com pressão excessiva ou técnica inadequada, o líquido pode alcançar essa região. “Nesses casos, podem surgir sintomas como sensação de ouvido tampado, dor, zumbido e até quadros de otite média”, acrescenta a médica.
Em situações mais raras, a pessoa também pode apresentar tontura ou vertigem. Já quando há obstrução nasal importante, parte da solução pode ficar retida nos seios da face, aumentando a pressão local e agravando sintomas como dor facial e dor de cabeça.
Segundo a especialista, alguns sinais após a lavagem nasal exigem avaliação médica:
- Dor intensa no nariz
- Dor na face
- Dor de ouvido
- Sangramento persistente
- Febre
- Diminuição da audição
- Secreção nasal com mau cheiro
- Sensação prolongada de líquido retido no nariz ou na face
Como fazer lavagem nasal com segurança?
Os benefícios da lavagem nasal dependem, em grande parte, da forma como ela é realizada. Por isso, especialistas recomendam atenção à solução utilizada, à higiene dos dispositivos e à técnica empregada durante o procedimento.
Cristiane explica que a solução considerada padrão para a lavagem nasal é a salina isotônica a 0,9%, utilizada preferencialmente morna, próxima à temperatura corporal.
O procedimento deve começar com a higienização das mãos e do dispositivo utilizado. Em seguida, a pessoa deve permanecer em pé, inclinando levemente a cabeça para frente e para o lado.
A aplicação deve ser feita de forma lenta e contínua, mantendo a boca aberta para respirar. Depois, o excesso de líquido pode ser eliminado com uma leve assoada.
“Os erros mais comuns são inclinar a cabeça para trás durante a aplicação, respirar pelo nariz em vez da boca, utilizar pressão excessiva ao aplicar a solução, realizar o procedimento deitado e usar água inadequada para o preparo da lavagem”, enumera a especialista.
A médica também chama atenção para a higiene dos equipamentos utilizados. Seringas, garrafas e outros dispositivos devem ser lavados e completamente secos após cada uso para evitar contaminações.
Contraindicações
Nem todas as pessoas devem realizar a lavagem. Em alguns casos, o procedimento deve ser evitado temporariamente ou feito apenas com orientação médica.
A lavagem nasal não é indicada a indivíduos com:
- Obstrução nasal completa dos dois lados
- Otite média aguda
- Perfuração do tímpano
- Sangramento nasal ativo
Nesses casos, a especialista recomenda procurar avaliação médica antes de realizar o procedimento.
Já os seguintes grupos devem receber orientação médica antes de realizar o procedimento:
- Crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos
- Idosos com dificuldade para engolir ou reflexo de tosse reduzido
- Pacientes com o sistema imunológico enfraquecido
- Pessoas com refluxo gastroesofágico importante
- Gestantes
Cristiane explica que, nesses casos, pode ser necessário adaptar a técnica, o volume da solução ou adotar cuidados adicionais para reduzir o risco de complicações, como infecções, engasgos ou aspiração do líquido.
Qual é a frequência ideal para fazer lavagem nasal?
Apesar dos benefícios, a lavagem nasal não precisa ser feita várias vezes ao dia sem necessidade. Segundo Cristiane, o excesso pode ressecar e irritar a mucosa nasal, além de aumentar o risco de pequenos sangramentos e desconfortos.
A especialista explica que não existe uma frequência ideal que sirva para todas as pessoas. A recomendação varia de acordo com o objetivo da lavagem e as condições de saúde de cada paciente.
Para quem busca apenas higiene, uma lavagem diária costuma ser suficiente. Já pessoas com rinite podem precisar de uma ou duas aplicações por dia. Em casos de sinusite, a frequência pode ser maior, desde que um médico realize a orientação.
Vale lembrar que, em 2024, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um guia prático de atualização sobre o assunto e reforçou que não existem evidências de que a lavagem nasal funcione como profilaxia para doenças nasossinusais, como a rinite alérgica.
Cristiane alerta que sintomas como ressecamento, ardência e sangramento podem indicar que a quantidade de lavagens está acima do necessário./AE
(Foto: Reprodução)





