A nova crise ganhou força após entrevista de Ciro Gomes à revista Veja, na qual ele comparou Lula a Bolsonaro, afirmando que os dois seriam iguais, além de afirmar que não apoiaria Flávio Bolsonaro, mesmo diante de uma aproximação com o PL no Ceará. A fala foi usada por Michelle como ponto de partida para reforçar sua oposição à aliança cearense.
No vídeo, Michelle relembrou declarações antigas de Ciro contra Jair Bolsonaro e seus filhos. Segundo ela, o ex-governador já chamou Bolsonaro de “ladrão de galinhas”, “corrupto”, “burro” e “jumento”, além de ter feito acusações contra os filhos do ex-presidente e usado a expressão “ovos de serpentes nazistoides” para se referir aos enteados.
Na sequência, Michelle questionou a lógica política da aproximação com Ciro. “É para se unir a esse homem que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita?”, indagou, em referência à pré-candidatura de Eduardo Girão ao Governo do Ceará, nome que ela defende publicamente.
A ex-primeira-dama também reforçou apoio à deputada federal Priscila Costa como nome para a disputa ao Senado, o que aumenta a tensão interna no PL cearense, especialmente diante da movimentação em torno da pré-candidatura de Alcides Fernandes, pai do deputado federal e presidente estadual do PL, André Fernandes.
O episódio, no entanto, foi além da disputa estadual. Michelle afirmou que ainda não declarou apoio público a Flávio Bolsonaro porque, segundo ela, teria sido tratada com desdém pelos filhos de Bolsonaro e nunca teria sido procurada formalmente para entrar na campanha. A declaração expôs uma crise familiar que, até então, vinha sendo administrada nos bastidores.
A pressão sobre Michelle cresceu em meio à necessidade de Flávio Bolsonaro consolidar apoio interno e fortalecer sua pré-campanha nacional. Com forte presença entre mulheres, evangélicos e setores conservadores, Michelle é vista como um ativo político importante, mas seu distanciamento público amplia o desgaste dentro do próprio campo bolsonarista.
No Ceará, o vídeo deve produzir novos desdobramentos. Flávio Bolsonaro tem agenda prevista em Fortaleza no dia 10 de julho para participar do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado. O evento ocorre em meio à disputa entre a ala que defende uma composição com Ciro Gomes e o grupo que sustenta uma candidatura de direita no primeiro turno.
Até o fechamento desta matéria, Ciro Gomes ainda não havia se pronunciado sobre as novas declarações de Michelle Bolsonaro.
A crise deve continuar se arrastando. Michelle ainda demonstra força e ambição política no cenário nacional, enquanto Flávio tenta assumir o protagonismo do bolsonarismo em 2026.
O Ceará virou o enredo perfeito para uma troca pública de farpas, tendo as antigas declarações de Ciro como pano de fundo de uma querela que mistura cálculo eleitoral, disputa familiar e guerra pelo comando da direita.





