O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (18/6), o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). A iniciativa pretende ampliar o atendimento de idosos em suas próprias casas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito no Rio de Janeiro.
O programa será voltado para pessoas com 60 anos ou mais que estejam restritas ao domicílio, especialmente aquelas com limitações físicas, comprometimento cognitivo, doenças crônicas ou maior vulnerabilidade. Para viabilizar a estratégia, o governo prevê investir cerca de R$ 500 milhões até 2027.
O atendimento será realizado por equipes multiprofissionais da atenção básica, conhecidas como eMulti. Esses grupos reúnem profissionais de diferentes áreas da saúde, como médicos especialistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, que atuarão em conjunto com as equipes de Saúde da Família.
Na prática, os pacientes poderão receber visitas periódicas em casa para acompanhamento de saúde e elaboração de um plano de cuidados de acordo com suas necessidades. O atendimento domiciliar não substitui as consultas e serviços já oferecidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), mas funcionará como complemento ao acompanhamento realizado pela rede pública.
O que será oferecido pelo programa
De acordo com o Ministério da Saúde, o atendimento começará com uma avaliação multidimensional para identificar riscos, fragilidades e necessidades de cada paciente.
A partir desse diagnóstico, as equipes poderão oferecer reabilitação clínico-funcional, orientação nutricional, acompanhamento de doenças crônicas, ações para prevenção de quedas, orientações sobre adaptações no ambiente doméstico e, gradualmente, cuidados paliativos quando necessários.
Outro eixo do programa é o suporte às famílias e aos cuidadores. A portaria prevê orientação e acompanhamento para quem participa diretamente dos cuidados diários da pessoa idosa.
“O foco é cuidar do idoso, mas a iniciativa também deve beneficiar os cuidadores”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva.
Expansão nacional e reforço das equipes
O programa já começou a ser implementado nos municípios que aderiram à iniciativa e vai funcionar basicamente com um repasse extra para as equipes participantes. Segundo o Ministério da Saúde, 2.733 municípios solicitaram participação no Padi Brasil, totalizando 3.677 equipes eMulti aptas a receber o incentivo federal.
Os recursos serão usados para ampliar equipes existentes ou criar novas estruturas de atendimento. A portaria também prevê repasses adicionais para apoiar as visitas domiciliares, incluindo a disponibilização de veículos para o deslocamento das equipes até as residências dos pacientes.
Durante o lançamento, Padilha afirmou que a adesão dos municípios superou a expectativa inicial do governo. Segundo ele, a medida busca preparar o SUS para o envelhecimento da população brasileira e ampliar o acesso ao cuidado de idosos que enfrentam dificuldades de locomoção.
“A gente avaliou que precisava fazer algo mais. Tudo o que já fazemos ainda não é suficiente para oferecer a melhor atenção possível e cuidar dos idosos de forma integral”, disse o ministro. Ele afirmou que mais de 3 milhões de idosos acamados são atendidos pelo SUS no Brasil./AE
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