Mesmo sem citar nomes em algumas declarações, Ciro tem atribuído indiretamente a Camilo e ao senador Cid Gomes a responsabilidade pelo rompimento político entre os antigos aliados.
Camilo, por sua vez, passou a reagir de forma mais direta ao tema e começou a apresentar publicamente sua versão sobre o que ocorreu em 2022, quando o PDT rompeu por não apoiar a reeleição da então governadora Izolda Cela e lançou Roberto Cláudio ao Governo do Estado.
“Não vai existir na história recente do Ceará um governador que foi mais correto e leal do que eu fui com eles. Eu tinha quase 90% de aprovação no Estado, entreguei o governo de volta para Izolda, do PDT, na época. Quem é que faz isso? Entreguei porque eu não tenho um projeto pessoal, é um projeto de Estado”, defendeu Camilo.
O senador afirmou ainda que havia um entendimento político para que Izolda, ao assumir o Governo, tivesse o direito de disputar a reeleição. Segundo Camilo, Cid Gomes não participou da campanha de Roberto Cláudio porque tinha conhecimento desse acordo.
“Eu sairia do governo e a Izolda assumiria e tinha direito a ir para uma reeleição. Então, quem foi que fez a traição? Quem traiu, no fundo? E eu não aceitei uma mulher ser traída”, afirmou.
Camilo também rebateu as acusações de traição feitas por Ciro e afirmou que a ruptura partiu do ex-presidenciável, que teria insistido na candidatura de Roberto Cláudio.
“Quem traiu foi ele, que não aceitou e não deixou a Izolda ser candidata. Não me submeti aos caprichos, à arrogância dele na época, porque queria empurrar, de qualquer jeito, o Roberto Cláudio. Então, é bom as pessoas entenderem quem traiu quem. Eu não, sempre estive do mesmo lado”, declarou Camilo.
A troca de versões reacende uma das feridas mais profundas da política cearense recente. O rompimento entre PT e PDT em 2022 redesenhou alianças, separou antigos aliados e agora volta ao centro do debate na pré-campanha deste ano.
Com Ciro tentando sustentar o discurso de lealdade e Camilo afirmando que a traição partiu do ex-aliado, a disputa pelo Governo do Ceará começa também pela batalha da memória: quem rompeu, quem mudou de lado e quem pagará o preço político por 2022.





