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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Governo faz compra emergencial de quimioterápico para evitar colapso nos tratamentos de câncer
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Governo faz compra emergencial de quimioterápico para evitar colapso nos tratamentos de câncer

Ultima atualização: 23/04/2026 9:23 PM
Redação
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6 Min. de Leitura
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O Ministério da Saúde comprou emergencialmente 100 mil comprimidos e 40 mil ampolas de ciclofosfamida, medicamento utilizado em quimioterapias. A medida foi tomada para evitar o colapso em tratamentos de câncer e outras doenças no País.

O governo recebeu o primeiro lote do medicamento na quarta-feira, 22, e afirma que começará a distribuição para os Estados nos próximos dias. Nas últimas semanas, sociedades médicas alertaram para a escassez do remédio.

Atualmente, a farmacêutica Baxter é a única empresa com registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercializar a ciclofosfamida no País. Questionada, a empresa afirmou que um fabricante contratado por ela sofreu uma interrupção técnica que reduziu as operações e impactou a produção.

“Embora a produção tenha sido retomada, ela está operando com capacidade reduzida, o que não atende à demanda atual, resultando em fornecimento limitado, que deverá melhorar gradualmente ao longo de 2026″, diz a farmacêutica.

A Baxter afirma ainda que está trabalhando com urgência com o fabricante parceiro para resolver o problema e “restabelecer o fornecimento de maneira mais rápida e responsável possível”.

Distribuição

Segundo o Ministério da Saúde, a quantidade adquirida é suficiente para suprir a demanda até julho, quando há expectativa de que a produção seja normalizada.

As primeiras 7 mil ampolas já chegaram ao País e serão distribuídas para os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons), que são hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento do câncer, e para Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons).

De acordo com a pasta, essa primeira remessa custou R$ 1 milhão e o primeiro local a receber as doses foi o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, 23.

“Esse produto não é adquirido pelo Ministério da Saúde centralizadamente, é adquirido pelos centros de tratamento de câncer e pelas secretarias estaduais. Mas a gente realizou essa aquisição centralizada justamente para fazer frente a esse eventual problema de escassez, porque, com a capacidade de compra do ministério, é mais fácil fazer a aquisição internacional”, explica ao Pulsa a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri.

A quantidade comprada emergencialmente foi estabelecida após consulta aos Estados.

Uso da ciclofosfamida

A ciclofosfamida é utilizada em transplantes de medula e no tratamento de lúpus, esclerose sistêmica, sarcomas e câncer de mama, entre outras condições.

“A terapia intravenosa com ciclofosfamida constitui parte essencial de diversos protocolos terapêuticos utilizados na prática clínica e respaldados por diretrizes internacionais atuais”, diz a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) em nota.

A entidade afirma que a indisponibilidade do medicamento pode comprometer o tratamento de pacientes com manifestações graves de doenças imunomediadas (caracterizadas por uma atividade anormal do sistema imunológico) ou levar à interrupção de terapias em andamento.

Diante do desabastecimento, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) chegou a divulgar um protocolo a ser adotado em caso de falta do medicamento.

Não é só a ciclofosfamida

De acordo com a presidente da Sboc, Clarissa Baldotto, a incerteza no fornecimento vai além da ciclofosfamida.

“Esse problema não é uma coisa isolada. De um tempo para cá, temos visto que algumas medicações mais antigas, que hoje têm baixo custo e já perderam a patente há muitos anos, de vez em quando, têm um desabastecimento no mundo todo”, comenta. Entre os motivos para a escassez, ela aponta a redução de interesse comercial.

A Sboc enviou para o Ministério da Saúde uma lista de medicamentos que frequentemente enfrentam desabastecimento. A entidade pede ao governo que invista na produção estratégica nacional dessas substâncias por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por exemplo.

Entre os medicamentos estão:

  • Abiraterona
  • lomustina
  • BCG intravesical
  • Procarbazina
  • Dacarbazina
  • Mitomicina C
  • Interferon alfa
  • Bleomicina
  • Mitotano
  • Tioguanina
  • Mercaptopurina
  • Temozolomida
  • Capecitabina
  • Cisplatina

Segundo a médica, a interrupção, ainda que momentânea, do uso dos medicamentos pode prejudicar o resultado do tratamento.

O Brasil vai produzir esses medicamentos?

Para adquirir a ciclofosfamida, o Ministério da Saúde acionou a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) para fazer uma cotação internacional do produto junto a farmacêuticas com registro aprovado por agências de vigilância sanitária parceiras do Brasil, como o FDA, dos Estados Unidos, e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A pasta diz que tem buscado indústrias que atuam no Brasil e comercializam a ciclofosfamida no exterior para que peçam o registro na Anvisa. A medida é uma maneira de ampliar o número de fornecedores atuando no País.

Sobre a possibilidade de produzir de forma pública essa e outras substâncias utilizadas no tratamento do câncer, Fernanda de Negri afirma que a medida demanda uma análise complexa. Ela diz ainda que, atualmente, os medicamentos produzidos de forma pública atendem a uma demanda de doenças negligenciadas, que não costumam ter muitas opções de tratamento no mercado.

“Tem chegado muita molécula para tratamento oncológico no mercado. Então, não é que não exista tratamento disponível para câncer”, destaca. “Esse monitoramento é feito, boa parte dos produtos que a gente considera estratégicos são os produtos que hoje já são objetos de Parceira para Desenvolvimento Produtivo.”/AE

(Foto: Reprodução)

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