Essa mensagem é especialmente relevante atualmente. Afinal, o câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, está entre os tipos mais frequentes no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2026-2028 aponta para cerca de 45 mil novos casos por ano no País, sendo o terceiro tipo de câncer mais comum, considerando homens e mulheres. É também uma das principais causas de morte por câncer, o que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
É preciso reiterar que esse tipo de câncer é evitável. Ele pode ser prevenido justamente por meio do estilo de vida e dos exames de rastreamento, popularmente conhecidos como preventivos. Os hábitos de vida têm papel central, especialmente se olharmos com atenção para a alimentação. A dieta deve ser pobre em carne vermelha (ela pode ser consumida, mas sem exagero, no máximo entre 100 e 200 gramas por semana) e é fundamental evitar embutidos, como salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, peito de peru, salame, entre outros.
Por outro lado, existem dietas protetoras, que são aquelas ricas em fibras. Essas substâncias, presentes em grãos integrais, frutas, verduras, legumes e leguminosas, ajudam a blindar a saúde intestinal e a reduzir o risco de câncer. Além da alimentação, a prática regular de atividade física é essencial. Vale destacar ainda que a dobradinha dieta saudável e exercício ajuda na manutenção do peso adequado, o que favorece o intestino. O cigarro também deve ser evitado, pois é um fator de risco para o câncer intestinal.
Outro ponto muito relevante é a realização de exames preventivos, especialmente a colonoscopia. A recomendação geral é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos de idade. Esse exame permite avaliar todo o intestino e identificar lesões precursoras, como pólipos, que podem ser removidos antes de se transformarem em câncer.
Para ter ideia, a colonoscopia é capaz de prevenir mais de 80% dos casos de câncer de intestino ao possibilitar a retirada desses pólipos. Tudo isso, associado a um estilo de vida saudável, contribui de forma significativa para a redução da incidência e da mortalidade pela doença.
Se eu pudesse deixar uma recomendação final, como médico, seria esta: a prevenção do câncer colorretal começa nas escolhas do dia a dia. Nesse sentido, busque uma alimentação mais equilibrada, rica em verduras, legumes, frutas e outros alimentos in natura. Em paralelo, diminua o consumo de produtos ultraprocessados e de carne vermelha, além de evitar as carnes embutidas. Também é importante moderar o consumo de álcool, cessar o tabagismo e incorporar a prática regular de atividade física à rotina.
São mudanças possíveis, que fazem diferença ao longo do tempo e podem ajudar não só a reduzir o risco do câncer colorretal, mas a promover mais saúde e qualidade de vida em geral.
Opinião por Fernando Maluf
Médico oncologista, fundador do Instituto Vencer o Câncer, diretor médico associado do Centro de Oncologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita/AE
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