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Ceará Notícias > Blog > Outros > Pneumologista explica como o ronco pode impactar a saúde do corpo
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Pneumologista explica como o ronco pode impactar a saúde do corpo

Ultima atualização: 18/03/2026 6:06 PM
Redação
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5 Min. de Leitura
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Dados da Associação Brasileira do Sono apontam que 40% dos adultos no Brasil roncam, porém especialistas entrevistados são unânimes: fazer barulhos em meio ao descanso não é normal. O som pode ser um dos primeiros sinais de alerta de que algo não está bem na saúde.

O ronco ocorre quando o ar passa pela via aérea superior e tem dificuldade para circular livremente. Com a respiração parcialmente obstruída, os tecidos da garganta começam a vibrar, produzindo o som incômodo. Em alguns casos, a hipertrofia de amígdalas ou de adenoides pode provocar o barulho. A posição de dormir também pode favorecer o bloqueio das vias respiratórias.

“Roncar não é normal. Não devemos encarar esse barulho como algo comum. O ronco interrompe o sono contínuo e muitas vezes atrapalha não só a pessoa que está dormindo, mas também quem está ao lado”, explica a pneumologista Danielle Clímaco, especialista em sono e membro da Academia Brasileira de Sono (ABS).

Quando é primário, o ronco apenas produz o barulho incômodo. Mas em outros casos mais graves, ele pode ser acompanhado da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), uma condição que causa paradas respiratórias momentâneas durante o descanso.

“Os sintomas são ronco, fadiga, sonolência excessiva, cansaço, e até mesmo aquele caso em que a pessoa pega no sono facilmente, ao dirigir, por exemplo”, diz o otorrinolaringologista Rogério Caiado, do Hospital DF Star, em Brasília.

Além da apneia obstrutiva do sono, que é a condição associada ao ronco mais conhecida, o barulho também pode estar ligado a outras condições — em alguns casos, até mais graves.

Condições associadas ao ronco

  • Doenças cardiovasculares: o esforço para respirar aumenta a pressão no sangue, podendo levar a hipertensão, arritmias e insuficiência cardíaca.
  • Refluxo gastroesofágico: o esforço respiratório pode levar o ácido do estômago de volta para o esôfago e a garganta.
  • Obesidade e doenças metabólicas: o ronco provoca má qualidade e desregula hormônios da fome, causando doenças metabólicas, como obesidade. 
  • Doenças pulmonares: ao provocar pausas respiratórias, há uma sobrecarga no sistema e o risco de hipertensão pulmonar se eleva.

“Embora muitas vezes seja considerado apenas um problema social, o ronco pode ter implicações clínicas. Pesquisas sugerem que ele está associado a um aumento do risco de diversas complicações cardiovasculares e cerebrovasculares, incluindo aterosclerose da artéria carótida, hipertensão, síndrome metabólica e disfunção endotelial”, afirma o neurologista André Ferreira, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Quando o ronco deve ser investigado?

Quando o ronco começa a atrapalhar a rotina de sono da pessoa que dorme ao seu lado ou até mesmo o próprio indivíduo, é essencial buscar ajuda profissional. Entre as principais queixas causadas pelo barulho que merecem uma análise mais aprofundada, estão:

  • Problemas conjugais;
  • Fadiga;
  • Fragmentação do sono;
  • Sono não reparador;
  • Sonolência excessiva.

“Sem um sono de qualidade, funções importantes como memória, raciocínio, criatividade e desempenho no trabalho ficam bastante prejudicadas”, aponta Danielle.

Ao procurar ajuda, será realizada uma avaliação clínica. Em seguida, a polissonografia, exame que monitora as funções fisiológicas, irá determinar se há apneia do sono, quantas pausas respiratórias acontecem e a gravidade do problema.

Em casos mais leves, a adoção de hábitos saudáveis resolve, pois o ronco pode estar ligado ao sobrepeso e obesidade. Já nos quadros mais graves, o uso de aparelhos especializados para tratar apneia do sono é o mais recomendado. Quando estruturas no próprio corpo atrapalham a passagem do ar, a cirurgia corretiva é a solução.

“Ao ignorar o ronco, o paciente pode estar ignorando eventos obstrutivos do sono, onde as apneias causam dessaturação do oxigênio, e que além de atrapalhar até mesmo o casamento pela incapacidade de alguns casais de dormirem juntos na mesma cama, também traz fadiga, sonolência excessiva e riscos de eventos cardiovasculares a longo prazo”, alerta Caiado./Metrópoles

(Foto: Reprodução)

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