Dados recentes indicam que as bacias do Médio Jaguaribe (21%), Banabuiú (27%) e, sobretudo, Sertões de Crateús, demandam atenção imediata por apresentarem volumes abaixo de 30%. A situação mais alarmante é justamente a dos Sertões de Crateús, que engloba municípios como Crateús, Independência, Novo Oriente e Ipueiras.
Pela Resolução 03/2020 do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará, os níveis de armazenamento são classificados da seguinte forma:
- Até 10%: situação muito crítica de escassez hídrica;
- Entre 10% e 30%: situação crítica de escassez hídrica;
- Entre 30% e 50%: situação de alerta;
- Entre 50% e 70%: nível confortável;
- Acima de 70%: nível muito confortável.
Acompanhamento e medidas emergenciais
O diretor-presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Yuri Castro, afirma que a maior preocupação no momento recai sobre a bacia dos Sertões de Crateús. Segundo ele, o cenário é monitorado de perto e debatido a cada 15 dias no Comitê Integrado de Segurança Hídrica, com adoção de ações para reduzir riscos.
Entre as medidas emergenciais, destaca-se a perfuração de poços, que ajuda a mitigar os efeitos da escassez. Em Novo Oriente, por exemplo, o município chegou a ser abastecido 100% por poços durante a última seca, e novas perfurações foram realizadas para evitar colapsos. Ainda assim, especialistas reconhecem que essas ações minimizam, mas não resolvem o problema de forma definitiva.
Lago de Fronteiras: solução estrutural
Para Crateús, a saída estrutural passa pela conclusão do Açude Lago de Fronteiras, obra considerada estratégica para a segurança hídrica regional. O reservatório está sendo executado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e já alcançou cerca de 70% de execução. No entanto, a construtora responsável desistiu do projeto, o que levou à abertura de nova licitação para retomada e conclusão das obras.
A conclusão do Lago de Fronteiras é vista como decisiva para garantir abastecimento regular, reduzir a dependência de soluções emergenciais e criar condições para a atração de investimentos, fortalecimento da agropecuária e geração de emprego e renda. Sem água em quantidade e regularidade, o desenvolvimento econômico dos Sertões de Crateús segue comprometido.
Urgência regional
Especialistas e lideranças locais convergem na avaliação de que a água precisa deixar de ser um problema para que a região avance. A experiência mostra que, enquanto poços aliviam crises pontuais, apenas infraestrutura hídrica de grande porte oferece segurança duradoura.
Diante do quadro atual, a retomada célere das obras do Lago de Fronteiras torna-se prioridade. A região aguarda uma solução concreta que permita atravessar períodos secos com resiliência e planejar o futuro com estabilidade hídrica; condição indispensável para o desenvolvimento dos Sertões de Crateús.





