Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

Durante a homília da última novena de Nossa Senhora das Graças, em Nova Russas, em 14 de agosto de 2023, veio de Dom Ailton Menegussi, a fala mais lúcida sobre a importância da preservação da memória cultural de uma cidade.
“Tem algo que não está escrito aqui na minha reflexão, mas, escutando a primeira leitura me veio ao coração o desejo de partilhar isto: como é importante saber fazer memória dos acontecimentos, como é importante conhecer a história que veio antes de nós. Um povo que não conhece sua história, é um barco a deriva, perdido no mar, não sabe para onde ir” disse pausadamente, com sua fala mansa, o Bispo da Diocese de Crateús.
Temos que cultivar a memória dos acontecimentos. A fala de Dom Ailton deve tocar o coração daqueles que desejam o desenvolvimento de Nova Russas, mas, não veem emolduradas suas ricas tradições em um Museu de História em 100 anos de emancipação politica do município.
Esse pilar da memória cultural, lembrado por Dom Ailton Menegussi jamais pode ser desprezado em nome da modernidade, ao contrário, devem ser incorporado, para que seu povo se encontre nesse fio condutor entre o passado e o presente.
As Festas de Agosto devem ser aprimoradas a cada ano, sem que se acabe as tradições culturais da cidade. Esses eventos devem ser compartilhados de geração em geração, regados pelas águas do rio Curtume, relembrados historicamente nos amontoados de sacos de algodão em armazéns no auge do ouro branco na cidade, acolhidos pela hospitalidade de quem desembarcava na estação ferroviária para ficar por aqui. É essa Nova Russas tecida pelos fios das crocheteiras, cheia de belezas culturais, que Dom Ailton tão bem expôs em sua homilia: “um povo que não conhece sua história, é um barco a deriva, perdido no mar, não sabe para onde ir”, jamais esqueçam essa reflexão de Menegussi.
À medida que Nova Russas avança em direção ao futuro, é essencial que seu povo reconheça a importância de sua memória cultural. Ela é uma uma bússola que orienta a cidade a manter o equilíbrio entre o passado e o futuro, para manter viva sua identidade cultural.
Falem de Cultura, falem de memória, isso não significa barrar o progresso, mas este, não precisa enterrar o passado.
A cidade é um exemplo inspirador de como a história pode ser um guia para um futuro brilhante e promissor, cabe ao seu povo preservar sua história. A Festa de Agosto de 2023, ficará marcada pela reflexão de Menegussi, porque nos confronta com a realidade, em 100 anos, ainda não temos um Museu para preservar nossas raízes históricas.





