“Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai acontecer. No entanto, agora que temos uma mudança de regime completa e total, na qual prevalecem mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer — quem sabe?“, reforçou ele.
No fim de semana, o americano deu um ultimato que termina na noite desta terça para que o Irã aceite um acordo para pôr fim à guerra e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Teerã, contudo, se retirou das negociações e convocou uma corrente humana em torno das usinas de energia do país, que podem ser os principais alvos.
“Vamos descobrir esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, finalizou a publicação.
Em resposta à declaração do americano, Teerã ameaçou retaliar países do Oriente Médio jogando-os na escuridão total se os EUA cumprirem seu ultimato e atacar usinas de energia do país. A informação foi divulgada pela Reuters.
Segundo a agência, uma fonte iraniana de alto escalão informou que “toda a região e a Arábia Saudita ficarão em completa escuridão com os ataques retaliatórios do Irã” se Washington atacar as usinas de energia do país. “Se a situação sair do controle, os aliados do Irã também fecharão o Estreito de Bab El-Mandeb”.
Na segunda-feira, 6, ambos os países rejeitaram uma proposta de cessar-fogo apresentada por Turquia e Paquistão. Teerã afirmou nesta terça-feira que não iria mais participar das negociações.
Infraestrutura
As ameaças de Trump e a recusa iraniana em participar das conversas ocorrem após o presidente americano apontar que Washington e Tel-Aviv iriam “devastar” todas as pontes do país e “paralisar” as usinas de energia.
O Exército israelense informou ter lançado ataques aéreos contra oito pontes no Irã e alertou os iranianos para que não utilizassem os trens até as 21h, horário local (15h no horário de Brasília). A mídia estatal iraniana noticiou que pelo menos três pessoas morreram quando uma ponte ferroviária foi atingida na cidade de Kashan, na região central do país.
Estados Unidos e Israel também atacaram a Ilha de Kharg, que abriga o principal terminal de exportação de petróleo do Irã.
O ataque marcou a segunda vez que a ilha foi alvo de bombardeios. No início da guerra, as tropas americanas atacaram defesas aéreas, um radar, um aeroporto e uma base de aerobarcos em Kharg, de acordo com análises de satélite do Instituto para o Estudo da Guerra e do Projeto de Ameaças Críticas do American Enterprise Institute.
Atacar infraestrutura civil pode ser considerado um crime de guerra segundo o direito internacional. Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do exército iraniano, afirmou que o Irã retaliaria “de forma esmagadora e abrangente” caso sua infraestrutura civil fosse atacada.
Em retaliação ao início da guerra no dia 28 de fevereiro, o Irã lançou diversos ataques contra Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Omã, os seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), com danos a bases militares americanas, embaixadas dos EUA e instalações de petróleo e gás natural. O Irã alega que precisa bombardear as bases dos EUA nestes países para responder a guerra iniciada por Washington e Israel, já que não tem a capacidade de atingir os EUA diretamente.
Além dos ataques aos países vizinhos, o Irã bloqueou o trafego pelo Estreito de Ormuz, uma passagem entre o Irã e Omã que separa os maiores produtores mundiais de petróleo e gás natural de seus principais clientes.
Historicamente, cerca de 20 milhões de barris passam por ali diariamente. De acordo com a Agência Internacional de Energia, a guerra no Oriente Médio já causou a maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo.
Irã convoca jovens para ‘corrente humana’ em usinas de energia
Para tentar prevenir os ataques contra a infraestrutura iraniana, autoridades do país convocaram jovens a formar correntes humanas para proteger usinas de energia, horas antes do término do prazo final imposto por Trump, para que a República Islâmica reabrisse o Estreito de Ormuz. Parte dos jovens atenderam aos pedidos.
Em uma mensagem em vídeo, Alireza Rahimi, identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, convocou “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores” a formarem correntes humanas. “As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”, diz a mensagem.
Grupos de iranianos formaram correntes humanas ao longo de pontes e em torno de usinas de energia em todo o país, segundo vídeos e fotografias divulgados pela mídia estatal e outros veículos locais. Não está claro se as manifestações foram espontâneas ou planejadas pelo governo.
O presidente Masoud Pezeshkian também publicou no X que 14 milhões de iranianos responderam às campanhas da mídia estatal e de mensagens de texto que incentivavam as pessoas a se voluntariarem para lutar.
Não foi possível verificar imediatamente esse número ou quantas pessoas participavam das correntes humanas, embora imagens iniciais mostrassem dezenas de pessoas em cada local.
“Eu também estive, estou e continuarei pronto para dar a minha vida pelo Irã”, escreveu Pezeshkian.
Um general da Guarda Revolucionária também pediu aos pais que enviassem seus filhos para trabalhar nos postos de controle, que têm sido alvos frequentes de ataques aéreos.
A agência de notícias estatal IRNA mostrou pessoas formando uma corrente humana “em apoio às usinas de energia” na cidade de Bushehr, no sul do país, onde fica uma usina nuclear.
A televisão estatal e a agência de notícias Mehr mostraram dezenas de pessoas em frente à principal usina de energia na cidade de Tabriz, no norte do país, bem como em uma usina na cidade de Mashhad.
Em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o Estreito de Ormuz, Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump “constituem incitamento a crimes de guerra e potencialmente a genocídio”.
“O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão hediondos. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais”, afirmou./com AP, AFP e NYT
(Foto: Reprodução)





