A palmeirense Gabriela Anelli, de 23 anos, morreu nesta segunda-feira (10/7) de manhã depois de ser ferida durante uma briga entre torcedores do lado de fora do Allianz Parque, no sábado, na partida do Palmeiras com o Flamengo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, (SSP) ela foi atingida por uma garrafada no pescoço e levada em estado grave ao Hospital Santa Casa, no centro da cidade, mas não resistiu aos ferimentos.
O irmão de Gabriela, Felipe Anelli, confirmou a morte da palmeirense em uma publicação nas redes sociais. “Sei o quanto você lutou cada segundo. Você foi de fato uma guerreira. Olhe por nós do céu e proteja nossa família”, escreveu. Os familiares da torcedora chegaram a fazer uma campanha na redes por doações de sangue para ajudá-la.
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César Saad, titular da Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE), informou que o suspeito de cometer o crime foi identificado como Leonardo Felipe Xavier Santiago, de 26 anos. Ele declarou ser membro de uma organizada do Flamengo, mas teria ido ver o jogo sozinho. Segundo o delegado, o suspeito teve o flagrante convertido em prisão preventiva pela Justiça e vai responder por homicídio doloso consumado.
De acordo com informações da SSP, a briga teve início na Rua Caraíbas, próximo a um dos acessos à torcida do Palmeiras ao Allianz Parque, depois de palmeirenses avistarem dois flamenguistas no local. Alguns rubro-negros se aglomeraram do lado de fora da arena depois de não conseguirem comprar ingressos e as torcidas entraram em confronto. Há, no entanto, uma outra informação, de que Gabriela foi ferida em confusão nas proximidades do portão C, na rua Padre Antônio Tomas, perto da entrada de visitante. Havia uma divisão de metal separando as torcidas e os flamenguistas jogaram garrafas e pedras por cima dessa proteção.
A Polícia Militar entrou em ação, usando gás de pimenta e bombas de efeito moral nas ruas Caraíbas e Palestra Itália. Houve relatos de agressões, com garrafas sendo atiradas na direção, inclusive, dos policiais. Há muitos bares e ambulantes nas imediações do estádio. A partida precisou ser paralisada por duas vezes porque jogadores e torcedores que estavam nas arquibancadas ficaram com olhos irritados por causa do gás de pimenta. O tumulto só foi encerrado com a chegada do Batalhão de Choque, já após o apito final. A cavalaria da PM também entrou em ação. Informações de que flamenguistas tentaram invadir o clube circularam naquele dia, mas elas não foram conformadas pela direção do Palmeiras. Havia uma festa junina para os associados.
O Palmeiras divulgou uma nota lamentando profundamente a morte de Gabriela e cobrou providências das autoridades. “Não podemos aceitar que uma jovem de 23 anos seja vítima da barbárie em um ambiente que deveria ser de entretenimento. Manifestamos solidariedade à família da palmeirense e cobramos celeridade na apuração deste crime, que fere a nossa razão de existir e compromete a imagem do futebol brasileiro”, publicou o clube.
Jogadores do Palmeiras também lamentaram a morte da torcedora nas redes sociais. “O que nos resta é orar pela família e pedir para que Deus possa confortar o coração dos parentes e amigos quee estão enfrentando essa irreparável perda”, escreveu Dudu. “Somos o páis do futebol ou da violência?”, indagou o zagueiro Luan. “Que possamos refletir e nos unir pelo fim dessa violência”, escreveu Gabriel Jesus, ex-jogador alviverde e atualmente no Arsenal.
Com a bola rolando, Palmeiras e Flamengo empataram por 1 a 1 e perderam a chance de diminuir a distância para o líder Botafogo, que venceu o Grêmio neste domingo, chegou aos 36 pontos e abriu dez de vantagem para o rubro-negro carioca, segundo colocado na tabela de classificação. A equipe alviverde está em quinto, com 24 pontos./ AE
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