O julgamento não analisa, neste momento, eventual culpa de Moraes. Os ministros discutem se existem elementos suficientes para permitir o aprofundamento das investigações relacionadas ao material reunido pela Polícia Federal. Entre os pontos sob análise estão mensagens atribuídas a Vorcaro e referências a contatos com o ministro. Moraes nega irregularidades e já questionou a forma como documentos do caso foram divulgados.
A sessão sofreu duas baixas importantes. O ministro Kassio Nunes Marques decidiu não participar da votação. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele argumentou, entre outros pontos, que a repercussão política do Caso Master sobre o processo eleitoral de 2026 recomendava seu afastamento do julgamento. O nome de seu filho também apareceu em diálogos relacionados ao caso, embora ele negue irregularidades.
Na sequência, Dias Toffoli também anunciou que não votaria. O ministro lembrou que já havia deixado de participar de julgamentos relacionados ao Banco Master na Segunda Turma e afirmou que manteria a mesma postura por uma questão de coerência. Toffoli já havia declarado suspeição por razões de foro íntimo em processos ligados ao caso.
Ao recordar sua atuação anterior nos processos envolvendo o banco, Toffoli sustentou ainda que mudanças na condução dos casos não decorreram do reconhecimento de irregularidade praticada por ele, mas de decisões tomadas com o objetivo de preservar institucionalmente o Supremo. Com seu afastamento e o de Nunes Marques, a composição do plenário para a análise sobre Moraes ficou reduzida.
A origem da crise está no material da Operação Compliance Zero. Um relatório da Polícia Federal reuniu mensagens que, segundo os investigadores, teriam sido encaminhadas por Vorcaro a Moraes. Em uma delas, o ex-banqueiro aparenta mencionar um contrato envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro; em outra, teria buscado informações sobre uma operação policial. As respostas do interlocutor atribuído a Moraes não foram recuperadas. O ministro nega ter mantido os contatos descritos no relatório.
O episódio também abriu uma disputa entre Moraes e André Mendonça. Moraes acusa o colega de divulgação seletiva de documentos e pediu investigação sobre sua atuação. O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os dois casos: a análise envolvendo Moraes ocorre nesta terça-feira, enquanto as acusações contra Mendonça foram remetidas para outra sessão.
Mais do que decidir se uma investigação deve ou não avançar, a sessão coloca o próprio STF diante de uma crise de credibilidade e de conflitos internos que ganharam repercussão política em plena campanha eleitoral. Com ministros se afastando da votação e integrantes da Corte trocando acusações públicas, o Caso Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a testar também a capacidade do Supremo de julgar questionamentos envolvendo seus próprios integrantes.






