Reação de Pacheco e silêncio de Lira frustram oposição após operações

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Parlamentares de oposição no Congresso Nacional estão frustrados com a postura de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, e de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado Federal e do próprio Congresso, sobre operações da Polícia Federal (PF) contra parlamentares. Até o momento, nenhum deles se pronunciou publicamente sobre as investigações contra deputados do Partido Liberal (PL).

No período de uma semana, a PF deflagrou duas operações que tiveram deputados federais do PL como alvos. Em 18 de janeiro, agentes da PF realizaram busca e apreensão na casa e no gabinete do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição na Câmara. Ele é investigado na Operação Lesa Pátria, que apura os atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

Já na quinta-feira (25/1), o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) também foi alvo de busca e apreensão. Policiais realizaram buscas no gabinete do parlamentar e em um apartamento funcional em Brasília. Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Ramagem é acusado de integrar uma organização criminosa que monitorava ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas.

Ao longo da semana, parlamentares do PL passaram a cobrar um posicionamento de Lira e Pacheco diante do que chamam de “exageros” do Supremo Tribunal Federal (STF). As decisões que autorizaram as investigações da PF foram publicadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Em coletiva de imprensa na quarta-feira (24/1), deputados e senadores do PL afirmaram que vão conversar sobre o assunto com os presidentes da Câmara e do Senado após o recesso do Legislativo.

“Buscaremos todos os mecanismos para que o Congresso não seja mais desrespeitado por nenhum outro Poder. O meu papel com outros parlamentares será a busca de diálogo com Lira, Pacheco e outros líderes”, afirmou Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), segundo-vice-presidente da Câmara dos Deputados.

A tentativa de diálogo com os presidentes também foi defendida por Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado. “Fizemos contato com o presidente do Senado, o senador Rodrigo Pacheco, conversamos com o presidente Arthur Lira, e precisamos que eles tomem providências no sentido de resguardar as prerrogativas dos parlamentares”, destacou Marinho.

Pacheco rebate Valdemar Costa Neto

O único comentário público de Rodrigo Pacheco sobre o assunto veio após provocação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Poucas horas depois da operação dessa quinta contra Ramagem, o líder partidário cobrou providências de Pacheco para defender os parlamentares.

O presidente do Congresso rebateu. “Difícil manter algum tipo de diálogo com quem faz da política um exercício único para ampliar e obter ganhos com o fundo eleitoral e não é capaz de organizar minimamente a oposição para aprovar sequer a limitação de decisões monocráticas do STF”, afirmou em nota oficial.

“E ainda defende publicamente impeachment de ministro do Supremo para iludir seus adeptos, mas, nos bastidores, passa pano quando trata do tema”, concluiu.

Valdemar respondeu mais uma vez o presidente do Congresso: “Se o Senado tivesse um presidente comprometido, não iria perder tempo pra reclamar de presidente de partido”, escreveu, além de dizer que “nunca fui covarde de me calar quando um poder não respeita o outro”, e reclamar da “falta de pulso” do senador mineiro.

Líder busca o STF

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, para cobrar que as investigações respeitem princípios que, de acordo com eles, estariam sendo desrespeitados, como as prerrogativas do exercício do mandato parlamentar, a inviolabilidade do mandato e os direitos e garantias individuais.

A oposição defende que o ministro Alexandre de Moraes saia da relatoria dos inquéritos. “Houve uma entrevista do ministro Alexandre Moraes, que é o condutor do processo, na qual ele afirma que os manifestantes de 8 de janeiro tinham como um dos objetivos enforcá-lo em praça pública, prendê-lo, agredi-lo. A ele e seus familiares. Então, nós achamos, inclusive, que ele deveria, em função dessa situação, deixar de ser o condutor do processo, de ser o juiz do processo”, defendeu Marinho na saída da conversa com Barroso./ Metrópoles

(Foto: Igo Estrela)

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