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Produção de slime conquista crianças. Mas há riscos?

Brincar com uma massinha feita em casa parece algo bastante inofensivo para os pais, mas até mesmo o Slime  – uma espécie de massa de modelar que antes era chamada de amoeba ou geleca – pode trazer risco à saúde das crianças. Conforme a brincadeira se popularizou e novas receitas surgiram, mais relatos de pais apareceram sobre os riscos de infecção, contaminação e até mesmo queimaduras na pele 

Segundo especialistas, exatamente pelo fato de o slime ser feito em casa é que demanda vigilância. As receitas mais populares levam ácido bórico (bórax), apontado pelos médicos como responsável por queimaduras, alergias e infecções.

1. Qual é a composição do slime?

Existem várias receitas disponíveis na internet e elas levam diversos ingredientes, como água boricada, amaciante, espuma de barbear, tinta, bórax (ou borato de sódio) e cola branca. Entre os produtos usados na fabricação caseira do slime, o bórax é o mais perigoso. Apesar de altamente tóxico, o borato de sódio pode ser comprado facilmente no comércio. A substância serve de matéria-prima para alguns produtos de limpeza, como sabão em pó e até inseticidas. Quanto mais alta a concentração do bórax, maiores as chances de reações indesejáveis.

2. Quanto de bórax pode ser considerado perigoso?

Se o contato for esporádico, uma quantidade inofensiva para uma criança de 2 anos é cerca de uma colher de chá da substância. Na verdade, há mais risco de adoecer quando a exposição ao bórax ocorre dia após dia, seja por ingestão ou pela pele danificada. Segundo especialistas do Hospital Albert Einstein, o risco de intoxicação existe, mas é baixo. Os relatos de quem sentiu-se mal indicam que é provável que tenha havido exposição excessiva ao bórax – e não apenas uma brincadeira regular e supervisionada.

3. Quais reações o bórax pode provocar?

Segundo o médico Werther de Carvalho, coordenador de pediatria do Hospital Santa Catarina, a substância é responsável por queimar a pele das crianças. Também pode provocar irritações no sistema respiratório e nos olhos.

Existe ainda o potencial de uma dermatite alérgica ser ocasionada.

4. O que os pais devem fazer se perceberem algum desses sintomas?

O alergista Nelson Cordeiro, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), ressalta que o ideal é não usar o slime de fabricação caseira, dando preferência para as formas industrializadas com concentrações já testadas. Caso haja alguma reação, recomenda lavar abundantemente a região com água ou soro fisiológico gelados e procurar atendimento médico.

5. O slime é perigoso?

Os especialistas afirmam que a massinha mais segura é a industrializada, por ter sido submetida a testes e ter dosagem controlada. A produção caseira também pode ser segura se houver supervisão dos pais ou responsáveis e pouco uso do bórax.

6. Há alguma forma mais segura de produzir slime?

Luvas podem ajudar a evitar reações durante a manipulação, mas não são totalmente eficazes. Segundo Cordeiro, a maioria das reações adversas em crianças ocorre pelas características da brincadeira com a massinha. “Eles veem graça no slime porque são eles mesmos que fazem. Por isso, passam horas manipulando a massa. Essa combinação é perigosa: a frequência alta de exposição e a pele sensível da criança. É possível que não apresentem nada, mas as chances são altas.”

7. Há receitas sem bórax?

Sim, ele pode ser substituído pela combinação de outros ingredientes. /AE

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