
PONTO POLÍTICO
Reginaldo Silva- Ceará Notícias
A pesquisa Datafolha encomendada pelo jornal O POVO foi divulgada nesta segunda-feira, 23 de março, e aponta a liderança de Ciro Gomes, com 47%, contra 32% de Elmano em primeiro turno. Os números crescem em um eventual segundo turno.
Nunca é demais lembrar que pesquisa representa um momento, é uma fotografia diante de um filme de longa duração.
Contudo, elas captam a visão do eleitor em um dado momento da vida do povo cearense. E essa pesquisa Datafolha não é para ser minimizada, como tem feito algumas lideranças da base governista, dentre elas o próprio governador, que atribui essa liderança de Ciro ao recall de campanhas anteriores.
Nesta coluna do PONTO POLÍTICO, quero analisar os números do ponto de vista do eleitor que respondeu à pesquisa e como ele enxerga o cenário político do estado.
O eleitor vê Ciro como um clássico antipetista. Não necessariamente como um bolsonarista, uma vez que ele também tem um histórico de duras críticas ao bolsonarismo.
Ciro consegue penetrar na classe evangélica, território dominado pelos bolsonaristas, mesmo sendo um líder político caracterizado historicamente como de esquerda e defensor das ideias brizolistas.
O ex-ministro marca terreno no território da segurança pública, uma das áreas mais críticas do governo e apontada como o principal problema do estado.
Por outro lado, Ciro se beneficia de um outro fator: o governo, mesmo com uma avaliação positiva, com uma aprovação de 60%, não consegue transformar esses números em intenção de votos. Algo precisa ser consertado na base governista.
Junte-se a esse fator a divisão interna do governo, que, embora não seja explícita, o eleitor sente no ar uma atmosfera de divisão. Essa indecisão da escolha dos postulantes para o Senado mantém o grupo que está na disputa com uma sensação de enxugar gelo.
No marketing político digital, esse sentimento é captado pelo eleitor que está do outro lado da tela, que percebe mesmo que inconscientemente uma incoerência entre a fala e o mundo real, este tema também já é discutido entre os especialistas.
O governo, por sua vez, minimiza os números e espera pela nacionalização da campanha, fato que certamente ocorrerá, mas não se pode afirmar com 100% de certeza de que essa verticalização será captada pelo eleitor cearense.
A tese da polarização é um fato, mas ela pode surgir como uma síntese na superação do conflito instituído em 2022. Nas eleições municipais de 2024, já houve a negação dessa polarização inicial.
Acrescente-se ainda que Ciro já é um personagem conhecido, com uma personalidade forte, que não se pode carimbar ele como lulista ou bolsonarista; ele criou sua própria identidade.
O dado mais importante da pesquisa não está nos percentuais. Está na mudança silenciosa do comportamento do eleitor.





