Ausente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro prorrogou o clima de reconciliação com o enteado ao enviar um vídeo de apoio, antes de o presidente da Argentina, Javier Milei, levantar o público com um discurso de meia hora com ataques a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem se referiu como um “lixo”. Flávio prometeu que, em 2027, Bolsonaro “vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente”.
A convenção do PL exibiu também um vídeo gerado por inteligência artificial que simulava a imagem e a voz do ex-presidente Bolsonaro para declarar apoio ao senador. Logo no início da mensagem, o vídeo informava que se tratava de uma simulação. “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz, feita com inteligência artificial”, dizia a gravação.
Na sequência, a versão criada por IA afirmava que Bolsonaro estava “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária” e pedia apoio à candidatura do filho. “Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos”, dizia a mensagem. Ao final, a simulação do ex-presidente pedia que os apoiadores recebessem “de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir”. “Sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”, concluiu o vídeo.
A gravação de IA de Bolsonaro foi seguida por um vídeo curto do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu. “Você é um grande defensor do Brasil, um grande defensor da amizade entre nossos povos, e sei que levará o Brasil a patamares cada vez mais elevados”, afirmou.
Procurado pelo Estadão, o advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo afirmou que a exibição do vídeo pode gerar questionamentos à Justiça, mas avalia que a principal discussão será se uma mensagem produzida por inteligência artificial pode ser equiparada a uma manifestação política do próprio Jair Bolsonaro, que está proibido de exercer atividade político-partidária.
Segundo ele, a defesa do ex-presidente pode sustentar que a gravação foi produzida por IA e, portanto, não configura uma manifestação direta de Bolsonaro. “A própria imagem avisa, ‘não sou eu, é IA’, a defesa pode alegar isso. Então a discussão vai ser: IA é igual a ele ter feito essa manifestação política que ele não podia fazer, ou IA é terceiro, ou sei lá o quê, então não tem problema?”, questionou.
O especialista também avaliou que, do ponto de vista eleitoral, a exibição do vídeo tende a não ter consequências imediatas por ter ocorrido durante uma convenção partidária, considerada um ato interno da legenda.
Flávio saúda mulheres após embate com Michelle e defende ‘legado’ do pai
Flávio Bolsonaro abriu o discurso exaltando a esposa, Fernanda, a quem dirigiu uma sequência de elogios e agradecimentos pelo apoio ao longo de sua trajetória política. Em seguida, agradeceu à mãe, Rogéria, que o acompanhava no palco. O tom familiar e o aceno às mulheres marcou o início da fala e dialoga com um dos desafios da campanha do senador, ampliar sua interlocução com o eleitorado feminino.
O senador também agradeceu à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, destacando que ela não compareceu ao evento porque permaneceu em casa para cuidar de Jair Bolsonaro. Ao citar o pai, Flávio se emocionou e chorou diante do público.
O senador ainda afirmou que Jair Bolsonaro foi “alvo” três vezes. A primeira ocorreu com a facada durante a campanha presidencial de 2018; a segunda, quando o ex-presidente foi “humilhado” e enviado à prisão “junto com centenas de outros inocentes”; e a terceira seria, nas palavras de Flávio, a tentativa de “isolar e calar o maior líder da direita que esse País já teve”, afirmou.
Ele disse que manterá o “legado” do pai e projetou seu retorno ao Palácio do Planalto. Dirigindo-se diretamente ao ex-presidente, afirmou que seguirá “até o fim” e declarou: “Tenho certeza de que, em janeiro de 2027, Jair Bolsonaro vai subir aquela rampa do Planalto junto com a gente”.
Michelle não participa de ato, mas envia vídeo de apoio
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recém-conciliada com o enteado após protagonizar embate público em junho, não compareceu ao ato, apesar dos apelos de aliados por sua presença. Ela, no entanto, gravou um vídeo em apoio à candidatura de Flávio.
Na gravação, Michelle afirmou que, por estar cuidando de Jair Bolsonaro, não pôde comparecer ao evento. Michelle também exaltou a liderança do marido, dizendo que ele representa “a força de mais de 58 milhões de brasileiros”.
A ex-primeira-dama ainda fez um apelo pela maior participação feminina na política. Ela agradeceu ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmando que, “graças ao trabalho de vocês e ao apoio prestado pelo presidente Valdemar”, o PL Mulher “se tornou o maior movimento feminino partidário do Brasil”. Michelle Bolsonaro deixou a presidência do setorial do partido por conta da crise entre ela e o enteado.
penas no encerramento da mensagem Michelle mencionou Flávio Bolsonaro nominalmente, ao afirmar: “Que Deus abençoe e proteja a sua candidatura, que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e a sua família para cumprir essa missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece”. O vídeo foi recebido com críticas e desconfiança por parte do público.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que a eleição de Flávio depende da união do campo da direita e defendeu a formação de uma “ampla bancada no Senado”. Segundo ele, senadores como André do Prado e Guilherme Derrite terão “coragem” para defender os interesses do País “independente de STF, STJ ou qualquer coisa que venha a fazer com que o interesse do Brasil seja colocado em segundo plano”.
Em seu discurso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concentrou críticas ao governo Lula na economia, na segurança pública e no aumento do endividamento das famílias. O governador também lamentou a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro no evento. “Eu sei que dói saber que o nosso presidente Bolsonaro não está com a gente aqui”, disse.
O governador atribuiu a Flávio Bolsonaro a missão de dar continuidade ao legado do ex-presidente. “A gente viu o que o presidente Bolsonaro fez pelo nosso País […] Entregou um Brasil de esperança. Essa esperança está depositada em Flávio Bolsonaro agora”, afirmou.
(Foto: Taba Benedicto/Estadão)






