As informações constam em relatório da investigação que apura irregularidades nas emendas de relator, obtidas após a quebra do sigilo telemático da assessora, autorizada pela Justiça. Nesta sexta-feira (12/12), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Mariângela.
Atuação desde a pandemia
Segundo a PF, a análise dos dados confirma que Mariângela teve papel central no controle e organização do orçamento secreto em sua primeira modalidade, durante o período das chamadas emendas de relator, prática que foi posteriormente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Estamos falando em uma atuação longeva na organização desses recursos, que remonta à época da pandemia e coincide com o mandato de Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados”, aponta trecho do relatório policial.
A PF destaca que, embora não houvesse transparência pública sobre a destinação dos recursos, existia um rigoroso controle interno para identificar quais parlamentares eram responsáveis pelas indicações das emendas aos municípios.
Controle interno e centralização
Os documentos apreendidos revelam que Mariângela mantinha registros detalhados sobre a distribuição das verbas, incluindo o acompanhamento de parlamentares, partidos e municípios beneficiados. De acordo com a investigação, essas informações eram reportadas internamente na Câmara, evidenciando um sistema organizado de gestão paralela dos recursos.
“Os dados evidenciam que esse processo, ao menos em parte, era centralizado em Tuca”, afirmou a PF, ressaltando que o material reforça indícios já levantados em fases anteriores da apuração.
Ligação com a Codevasf
A Polícia Federal também aponta que Mariângela Fialek teria utilizado sua posição como conselheira fiscal da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) para facilitar a manipulação de recursos indicados por parlamentares, ampliando o alcance da suposta estrutura.
A Codevasf foi um dos principais órgãos utilizados para a execução de emendas vinculadas ao orçamento secreto, especialmente em estados do Nordeste.
Investigações em andamento
Até o momento, Arthur Lira não foi formalmente indiciado, e a PF destaca que as conclusões fazem parte de uma investigação em curso. A assessora também não se manifestou publicamente sobre as acusações.
O caso aprofunda o debate sobre o uso político das emendas parlamentares e reacende questionamentos sobre transparência, controle institucional e responsabilização no Congresso Nacional.
As investigações seguem sob sigilo parcial, e novos desdobramentos não estão descartados.





