AtlasIntel, Datafolha, Quaest e Real Time Big Data apresentaram fotografias diferentes da eleição. A AtlasIntel apontou Ciro com 48,4% e Elmano com 45,8%. O Datafolha mostrou Ciro com 46% e Elmano com 37%. Na Quaest, o tucano apareceu com 45% contra 34% do governador. Já o levantamento mais recente do Real Time Big Data colocou Elmano numericamente à frente, com 46%, contra 43% de Ciro.
Os levantamentos possuem metodologias, períodos de campo e margens de erro próprias e não devem ser comparados como se formassem uma única série. Ainda assim, na leitura de Reginaldo Silva, as rodadas mais recentes produziram sinais que fizeram as duas campanhas recalcularem o caminho até outubro.
No campo governista, a avaliação é de que Elmano apresentou crescimento nas rodadas comparáveis de alguns institutos. A análise dos recortes da Quaest também chamou a atenção da campanha para a existência de eleitores identificados com o campo petista e de esquerda que ainda declaravam voto em Ciro. A reação foi reforçar de maneira ainda mais intensa a ligação política entre Lula e Elmano.
A passagem de Lula pelo Ceará faz parte dessa estratégia. A campanha governista passou a trabalhar de forma mais explícita a mensagem de que Elmano é o candidato do presidente no Estado, numa tentativa de transformar a ampla identificação do eleitor cearense com Lula em voto para a reeleição do governador.
Do outro lado, o Datafolha acendeu um sinal de alerta na campanha de Ciro. O ex-governador havia aparecido com 52% na rodada anterior do instituto e caiu para 46%, enquanto Elmano avançou de 33% para 37%. Segundo a análise de Reginaldo Silva, a campanha percebeu a necessidade de reforçar sua presença nas ruas e recuperar intensidade também no enfrentamento político e no engajamento pelas redes sociais.
Ciro, ao mesmo tempo, tenta impedir que a disputa seja transformada exclusivamente em uma escolha nacional entre o campo de Lula e seus adversários. Sua estratégia é trazer o debate para o Ceará, concentrando críticas ao governo estadual principalmente em áreas como segurança pública, saúde e gestão, numa tentativa de fazer o eleitor decidir a eleição a partir dos problemas locais.
É aí que, segundo Reginaldo Silva, estão colocadas as duas estratégias que podem definir a eleição. Elmano precisa transformar Lula em transferência efetiva de votos e manter o movimento de crescimento. Ciro precisa interromper essa aproximação, recuperar terreno e convencer o eleitor de que a disputa deve ser decidida pela avaliação do governo estadual.
A pergunta central passa a ser qual dessas estratégias produzirá maior efeito sobre o eleitor nas próximas semanas. Ciro conseguirá barrar o crescimento de Elmano? Ou Elmano continuará avançando com a ajuda da chamada “municipalização” da campanha, ou seja com o apoio da maioria do prefeitos cearenses. Elmano conseguirá o apoio de petistas e de parte da esquerda não lulista que apoia Ciro?
Para o colunista do PONTO POLÍTICO, os próximos dias podem oferecer uma resposta decisiva. “Quem conseguir obter melhor desempenho nessas duas semanas leva o Abolição.”
As pesquisas mostram números diferentes. Mas a eleição pode começar a ser definida justamente pela capacidade de Ciro e Elmano de entender esses números, corrigir os erros e executar melhor suas estratégias quando a campanha entra em sua fase mais intensa.






