Acaba de ser quebrada a patente do medicamento e, portanto, os preços devem ser reduzidos. Esse é mais um gasto que deve passar a concorrer por uma fatia do orçamento apertado da classe média.
Estudo inédito feito pela consultoria NielsenIQ, antes da quebra da patente, revela que o uso das canetas ainda é restrito. Porém, têm potencial de avançar e afetar a compra de outros bens e serviços.
Usuários e potenciais usuários das canetas emagrecedoras
Pesquisa realizada na segunda semana de fevereiro, que consultou 8.240 domicílios, representando os 55,6 milhões existentes no País, mostra que apenas 4,6% deles usam as canetas emagrecedoras. No entanto, 26,1% declararam ter interesse pelo medicamento, mas não adotam por conta do preço elevado e eventuais efeitos colaterais.
“Se a gente for pensar em interesse e quem já usa o medicamento, são cerca de 30%”, afirma Gabriel Fagundes, líder para Insights na indústria da NielsenIQ e responsável pelo estudo.
Como são os domicílios que usam canetas emagrecedoras e dos potenciais usuários
Domicílios usuários: Domicílios de potenciais usuários
Perfil sócio-econômico (% da renda)*
69,5%
55,4%
Compradores com idade entre 36 e 50 ano
43,1%
39,0%
De 3 a 4 moradores por domicílio
46,0%
49,7%
Sem crianças
61,0%
51,1%
*Domicílios usuários: renda alta; domicílios de potenciais usuários: renda média
Por conta do alto custo, o uso do medicamento ainda é restrito e concentrado. Tanto é que 70% dos compradores são de domicílios de maior nível socioeconômico, localizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do País.
“Caindo as patentes, baixando o preço e massificando a comunicação, a tendência é que as canetas emagrecedoras passem a fazer parte da rotina de mais domicílios, gerando ainda mais complexidade na equação de consumo, porque começa a atingir, não só aqueles de nível socioeconômico mais alto, mas também domicílios de nível socioeconômico médio”, observa Fagundes.
O estudo mostra, por exemplo, que 84% dos usuários das canetas já sentem impacto de médio a moderado no orçamento por causa da compra do medicamento. O gasto mensal para 62,7% dos usuários é acima de R$ 800.
Setores mais afetados
Com a entrada da despesa com as canetas, os usuários já tiveram de reacomodar o orçamento. De acordo com a pesquisa, 62,2% dos que usam canetas mudaram a escala de prioridade de outros gastos.
Dos que usam canetas, 62,2% mudaram a prioridade dos gastos, com os seguintes setores afetados:
Saída a bares
62,3%
Serviços
56,6%
Restaurantes
54,9%
Lazer
50,0%
Mercados
16,4%
O setor mais afetado pela compra do medicamento, segundo a enquete, foi o de bares, com 62,3% das respostas, seguido por serviços de uma maneira geral (56,6%), restaurantes (54,9%), lazer (50%) e mercados (16,4%).
“Ao longo do ano, a redução dos preços deve levar ao aumento da penetração (do medicamento), o que significa um desafio adicional para o mercado de bens em consumo em massa – mercado, bar, restaurante, lazer –, porque o orçamento do domicílio precisa fechar”, lembra Fagundes.
Hoje, a fatia do gasto com bens de consumo em massa de um domicílio chega a 21% do orçamento. “A conta do domicílio é muito mais complexa do que o mercado, tem todos os outros gastos que envolvem a vida de cada um. Caneta é mais um gasto, que a maior parte dos domicílios nunca teve antes e passará a conviver”, observa.
A chegada das canetas fez soar o sinal de alerta na indústria de bens de consumo. Segundo Fagundes, a pergunta mais recebida ao longo deste ano pela consultoria por todas as indústrias do setor, varejo de supermercados e atacarejos, por exemplo, é sobre o real impacto, com números, que as canetas emagrecedoras podem causar em cada segmento.
Ele observa que, em um primeiro momento, o impacto mais direto será no consumo de alimentos e bebidas. No entanto, por causa do redesenho de gastos que as canetas devem provocar, o especialista acredita que outros bens podem ser afetados, como cosméticos, higiene e beleza, limpeza para casa, bens duráveis, por exemplo. “É um tratamento que redesenha não só o carrinho, mas também o orçamento. O carrinho é um dos pedaços desse orçamento que o consumidor vai readequar.”/AE
(Foto: Reprodução)





