Por Reginaldo Silva- Professor, Radialista e Jornalista

A política e o futebol tem muitas semelhanças, assim como muitas diferenças. O futebol é um esporte coletivo, precisa de uma equipe, de estratégias, de reposição de peças, às vezes de mudanças dentro da própria equipe, às vezes de renovação, de sangue novo, em outras situações é preciso resgatar a experiência de uns, ou dar um puxão de orelha em outros. No pior dos cenários é necessário reconhecer os erros e aceitar a vitória do adversário, baixar a cabeça e partir para uma nova competição.
Dentre as diferenças entre o futebol e a política, uma das mais acentuadas é o tempo. Pode-se perder uma final em uma semana e já na semana seguinte está disputando uma nova decisão, a exemplo do que aconteceu com o Flamengo recentemente, ao perder duas finais e caminha para uma terceira derrota em decisões. Na política, as finais geralmente ocorrem de dois em dois anos e de quatro em quatro anos, o tempo é mais longo, machuca, as feridas geralmente demoram a cicatrizar.
Assim tem sido no Ceará na relação política entre PT e PDT. Os cálculos do ex-ministro Ciro Gomes foram equivocados em relação ao Estado. Incomodava o ex-ministro falar do PT nos rincões do país e na sua terra natal, o PT ser um aliado fiel há 16 anos mantendo uma boa relação com seu partido, o PDT. Soava contraditório o discurso do presidenciável Ciro Gomes. Como pode falar mal em outras terras e na sua casa existe uma boa relação? Pedetistas silenciavam diante da situação, enquanto petistas gritavam contra aquele cenário, que para eles era aberrante.
Ciro encontrou em Roberto Cláudio a parceria perfeita para acabar com essa discrepância em seu discurso, com direito a musiquinha, cheia de “esses” do presidente do PDT, Carlos Lupi, que bradava, “o melhor prefeito do Brasil vai virar governador”, o resultado foi um desastre.
Ciro é um grande conhecedor de estratégias nacionais, política externa, relações internacionais e bilaterais, tem um conhecimento inegável e invejável. Só que a política, assim como o futebol, tem seus caprichos, às vezes um bom treinador caseiro conta mais que um treinador renomado. O PDT, tinha o melhor treinador, com profundo conhecimento do campo e dos jogadores, há 16 anos orientando e fazendo a escolha certa, ele silenciou e o resultado é do conhecimento de todos.
O jogo continua. Na política, as partidas, não acontecem toda semana, o tempo maltrata e é preciso conviver com a dor da derrota. Cid ainda como o melhor treinador da política cearense sabe que é preciso ter paciência para recompor o time, outra derrota levaria a um fim melancólico, os traumas ainda não foram superados e tem jogadores que querem decidir sozinhos, outro ledo engano, na política e no futebol o jogo é coletivo.
Na reunião do PDT, nesta semana, Cid disse que o resultado da reunião serviu para marcar outra reunião. O impasse sobre o apoio ao governo Elmano de Freitas, esbarra no interesse das eleições municipais. O PT agora como a bola da vez, vai ter candidato, não só em Fortaleza, como na maioria do municípios cearenses, é uma questão de sobrevivência e o medo do retorno do bolsonarismo ao poder.
Os papeis se inverteram, Cid entra em campo para tentar reorganizar o time dividido, agora quem silencia é Ciro. Cid enxergou lá atrás, que Izolda seria a solução para esse impasse, atropelaram ela e ele, com resiliência, ele tenta manter o time vivo no cenário. O impasse do PDT está na relação de Ciro e Cid, ou o partido reconhece os erros do passado e tenta se reconstruir ou racha de uma vez e o resultado poderá ser ainda mais trágico para a legenda.
Camus dizia que o conhecimento da alma humana passa por um campo de futebol. Cid conhece a alma da política cearense. Assim como o futebol, a política também é uma arte, e um bom jogador, faz toda diferença, a Argentina de Messi, sabe disso.





