Papa Francisco pede proibição global da barriga de aluguel e chama método de ‘desprezível’

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O papa Francisco classificou o método barriga de aluguel, quando se paga alguém para gerar seus filhos, como uma prática “desprezível” e que deveria ser universalmente proibida pela “comercialização” da gravidez, citando-a junto a guerras, terrorismo e outras ameaças à paz e à humanidade, num discurso anual aos embaixadores feito nesta segunda-feira (8/1).

De acordo com o pontífice, um feto não deve ser “transformado num objeto de tráfico”. “Considero desprezível a prática da chamada maternidade de substituição, que representa uma grave violação da dignidade da mulher e da criança, baseada na exploração de situações de necessidades materiais da mãe”, afirmou.

Uma criança, disse ele, “nunca deveria ser a base de um contrato comercial”. Em seguida, apelou pela proibição global da barriga de aluguel, “para proibir esta prática universalmente”.

No passado, o papa Francisco já chamou a barriga de aluguel de “útero para alugar”, um termo frequentemente utilizado pela primeira-ministra italiana de direita, Giorgia Meloni, que também se opõe à prática e apoiou a criminalização dos italianos que praticam barriga de aluguel fora do país. A barriga de aluguel já é ilegal na Itália e em vários outros países europeus.

Embora a Igreja se oponha a esta prática, o gabinete do Vaticano para o ensino da Igreja deixou claro que as crianças nascidas de barrigas de aluguel podem ser batizadas. Esse mesmo escritório permitiu nas últimas semanas, com a aprovação explícita de Francisco, a bênção de casais do mesmo sexo.

A observação do papa sobre a barriga de aluguel ocorreu durante um discurso anual sobre política externa dirigido a diplomatas credenciados junto à Santa Sé, que tradicionalmente serve como um lamento por todos os conflitos e injustiças do mundo.

Na ocasião, ele chamou o novo ano de uma época em que a paz estava “cada vez mais ameaçada, enfraquecida e em parte perdida” e citou a guerra na Ucrânia. Neste momento, o pontífice relutou em nomear a Rússia como agressora, mas mencionou a “guerra em grande escala travada pela Federação Russa contra a Ucrânia”./AE

(Foto reprodução)

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